Por Ernesto FerreiraA história é objeto de uma construção cujo lugar não é o tempo homogêneo evazio, mas o preenchido de "tempo de agora" (jetztzeit). Assim, a Roma antiga era para Robespierre um passado carregado de "tempo de agora", que elefez explodir para fora do continuum da história. A revolução Francesa via-se como uma Roma ressureta. Ela citava a Roma antiga como a moda cita um vestuário do passado. A moda tem um faro para o atual, onde quer que ele se oculte na folhagem do antigamente. Ela é um salto de tigre em direção ao passado. Ele se dá, porém, numa arena comandada pela classe dominante. O mesmo salto, sob o Céu aberto da história, é o salto dialético da Revolução, como a concebeu Marx. Walter Benjamin, sobre a história. No primeiro texto, descrevi o lugar de enunciação das mensagens que enviarei ao oceano e a forma como seriam enviadas. Essa mensagem de hoje, carrega o pensamento de outro representante da Escola de Frankfurt, Walter Benjamin, que muito contribuiu com a teoria crítica da história, da cultura e da sociedade. Seu enunciado transcrito acima deixa claro que o passado precisa ser parte do que ele chama de tempo de agora, porque as vozes que emudeceram ainda falam com nós, há um elo entre os dois tempos que precisa ser encontrado, é precisoredimir o passado, honrando suas ruínas e seus mortos, sem o quê nenhuma história faz sentido. Essa redenção dialética da história é que permite à esperança que o futuro possibilita. Assim, a história narrada pelos historiadores nomeados pelos vencedores, não serve àqueles que herdam a sua própria história dos que foram vencidos. Essa é a razão de tantos conflitos que têm a história como principal motivo, como agora se vê na Síria. Para Benjamin, a perda da capacidade de compartilhar as experiências redimidas do passado, no tempo de agora, é a causa primeira de estarmos vivendo nesses tempos tão bárbaros e sombrios. Ele associava essa perda à mudança ocorrida no século vinte, em que o trabalho humano deixou de ser artesanal e passou a ser industrial, com sua fragmentação da experiência. A reconstrução histórica do espaço público necessita de uma nova forma social, em que as experiências de seus participantes voltem a ser compartilhadas, permitindo que novos significados pessoais e coletivos sejam constituídos, criando esperanças de que uma civilização que mereça esse nome se avizinhe no horizonte, quem sabe ainda no tempo de agora.
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