Promotores afirmam que integrantes do grupo receberam salários da Casa e que a estrutura do Legislativo serviu para imprimir material de apostas. A defesa também recorreu da condenação de 16 anos.
O Gaeco pediu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) que aumente a pena de 16 anos de prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL). Para os promotores, a sentença deve levar em conta o uso que o então parlamentar teria feito do mandato para beneficiar o grupo que explorava o jogo do bicho.
Segundo a acusação, Neno empregou integrantes da organização na Assembleia Legislativa, onde eles teriam recebido salários pagos com dinheiro público. Os promotores afirmam ainda que a estrutura da Casa foi usada para imprimir material do jogo do bicho.
Preso desde 3 de agosto, Neno foi condenado em primeira instância pelo juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, por organização criminosa, exploração do jogo do bicho e roubos. A defesa também recorreu e busca anular a sentença ou reduzir a pena. O advogado Ricardo Pereira classificou a condenação como “juridicamente insustentável” e disse que elevar a punição seria um “verdadeiro absurdo jurídico”.
Consultas a sistemas policiais
O Gaeco também pede pena maior para o major da reserva Gilberto Luís dos Santos, condenado a 17 anos. No caso dele, os promotores sustentam que o uso do porte de arma e o acesso a informações restritas da segurança pública devem pesar no cálculo da punição.
Segundo o recurso, consultas ao Sigo e ao Infoseg permitiam identificar pessoas e veículos que circulavam perto de integrantes do grupo, além de monitorar rivais. Os promotores também atribuem à organização a contratação de pistoleiros da fronteira. Quem se recusava a colaborar, afirma a acusação, corria o risco de sofrer assaltos, ter a casa invadida ou ser morto.
Processo por lavagem de dinheiro
Em outra ação penal, Neno responde por lavagem de dinheiro. Os irmãos dele, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, e o pai, Roberto Razuk, também se tornaram réus nesse processo.
Os dois irmãos e o pai foram presos em 25 de novembro de 2025, na quarta fase da Operação Successione. Roberto Razuk morreu em 15 de outubro de 2026.
