Administrador judicial do hospital assume também a gestão da entidade após a renúncia da dirigente. Em outra frente, perícia vai apurar o destino de mais de R$ 200 milhões em empréstimos bancários.
O médico Luiz Alberto Hiroki Kanamura, administrador judicial da Santa Casa de Campo Grande, ficará responsável também pela Associação dos Amigos da Santa Casa (AASC), entidade que arrecada doações para o hospital. A nomeação é provisória e autoriza Kanamura a movimentar os recursos da associação.
O juiz Eduardo Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, ampliou as atribuições do médico a pedido da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. Segundo o magistrado, a renúncia da dirigente da AASC deixou a entidade sem um responsável pela gestão financeira. Criada em 2010, a associação reúne doadores e organizações da sociedade civil para apoiar os serviços do hospital.
Alir Terra, ex-presidente da Santa Casa, havia sido reeleita para o comando da AASC no fim de 2025. Em setembro, ela foi afastada da direção do hospital e presa na Operação Antidotum, que investiga suspeitas de desvio de recursos e irregularidades em contratos da unidade.
Kanamura assumiu a administração do hospital após o afastamento da antiga diretoria. Desde então, o médico trabalha na revisão de contratos, na redução de despesas e na reorganização do quadro de pessoal. A Justiça acompanha as medidas por meio de relatórios periódicos.
Dívida supera R$ 800 milhões
A Santa Casa acumula mais de R$ 800 milhões em dívidas. Só os débitos com médicos passam de R$ 40 milhões, conforme informações apresentadas à Justiça. Em outubro, os atrasos ameaçaram a continuidade de atendimentos especializados, entre eles os de ortopedia. Naquele mês, o hospital informou que daria prioridade aos casos de urgência e emergência.
Trevisan defende a recuperação judicial para permitir que a instituição renegocie os débitos e distribua os pagamentos ao longo de até 20 anos. Pela proposta, a administração buscaria equilibrar as despesas correntes enquanto negocia as dívidas acumuladas.
Perícia vai rastrear empréstimos
A pedido do governo estadual e da Prefeitura de Campo Grande, a Justiça determinou uma perícia nas contas do hospital a partir de 2 de junho de 2021. A GRC Vista Consultoria Empresarial, de Curitiba (PR), deverá identificar a origem das dívidas, conferir os valores em aberto e esclarecer como a Santa Casa utilizou mais de R$ 200 milhões obtidos em empréstimos bancários.
O laudo deve orientar a renegociação dos repasses públicos, hoje estimados em R$ 35 milhões por mês. Referência do SUS para pacientes da capital e do interior, a Santa Casa reivindica aumento da parcela paga pela prefeitura.
O juiz deu cinco dias para que o Estado e o município se manifestem sobre os demais pedidos da administração do hospital. Depois, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul dará seu parecer, e o processo voltará ao magistrado.
