O bloqueio de contas do Banco Ueno, no Paraguai, atingiu correntistas brasileiros na fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero. A medida, adotada após a intervenção das autoridades paraguaias na instituição, levou milhares de pessoas a protestar no país vizinho.
Moradora do lado brasileiro da fronteira, a estudante Mariane Riquelme, de 29 anos, havia aberto uma conta no Ueno uma semana antes para resolver questões relacionadas a um imóvel no Paraguai. “Até o início da tarde sequer abrir o aplicativo eu estava conseguindo”, relatou.
O Ueno passou a oferecer pagamentos via Pix em dezembro de 2025. Na avaliação de Mariane, o recurso ajudou a atrair correntistas brasileiros.
Intervenção no banco
As autoridades paraguaias intervieram no Ueno após identificar insuficiência de capital. Conforme o Banco Central do Paraguai, o índice de solvência ficou abaixo do mínimo exigido após ajustes no balanço da instituição. A autoridade monetária afirmou que agiu para proteger os depósitos e limitar os efeitos sobre o sistema financeiro.
O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, anunciou a renúncia e disse que ficará no cargo até o fim da intervenção. Em entrevista coletiva em Assunção, ele afirmou que já havia assinado o documento para dar tranquilidade ao órgão durante o trabalho, conforme informou O Globo.
Carvallo comandou uma versão anterior do Ueno. O vínculo alimentou críticas à proximidade do governo do presidente Santiago Peña com a instituição e à demora na fiscalização do banco durante sua expansão.
Dados compilados pela Bloomberg apontaram queda de quase um centavo por dólar nos títulos da dívida paraguaia com vencimento em 2055. Já o rendimento dos títulos em dólares do Ueno, com vencimento em 2031, superou 10% no início de novembro. Os papéis foram emitidos em março, na estreia do banco no mercado internacional de títulos.
Fila por residência no Paraguai
Em Ciudad del Este, brasileiros começaram a acampar na noite de sexta-feira (30) perto do Centro Cultural Mangoré na tentativa de conseguir atendimento em um mutirão de regularização migratória, conforme os jornais La Nación e Última Hora. A ação do programa MigraMóvil começou na segunda-feira (2) e segue até sexta-feira (6), com 250 atendimentos por dia.
Dados da Direção Nacional de Migrações citados pelo La Nación indicam que brasileiros respondem por cerca de 95% dos pedidos atendidos nessas ações. De janeiro a setembro de 2026, o Paraguai recebeu 49.538 solicitações de residência, de acordo com levantamento publicado pelo La Tribuna. O total supera os 47.687 pedidos registrados em todo o ano de 2025.
