O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, teria reconsiderado a intenção de deixar o cargo e agora pretende permanecer na equipe do governador reeleito Eduardo Riedel (PP), cujo segundo mandato começa em janeiro de 2027. Entre os motivos apontados para a mudança está o interesse em acompanhar a reestruturação do Hospital Regional Rosa Pedrossian (HRMS).
A disposição de continuar à frente da secretaria ocorre enquanto o deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP), que não conseguiu se reeleger, articula espaço na próxima gestão estadual. Médico e filiado ao mesmo partido do governador, o parlamentar busca o comando da Saúde.
As movimentações de Ovando ganharam força após o resultado eleitoral e incluíram a divulgação de material de assessoria com suas credenciais para assumir a função. A experiência na medicina e a proximidade partidária estão entre os argumentos apresentados em favor de seu nome.
Uma das versões sobre as negociações aponta que Riedel teria convidado Ovando para comandar a secretaria no início da primeira gestão, mas o deputado teria recusado. Sem um novo mandato na Câmara Federal, ele agora demonstra interesse em integrar o governo.
Esse relato, entretanto, diverge da posição divulgada pelo próprio parlamentar durante a formação da primeira equipe. Em dezembro de 2022, Ovando informou, por meio de sua assessoria, que não havia recebido convite para assumir a Saúde e que precisaria avaliar a proposta caso ela fosse apresentada.
A disputa por espaço no futuro secretariado também passa pelos critérios anunciados por Riedel. No dia 6 de outubro, o governador afirmou que a distribuição das funções não será feita apenas para atender a interesses partidários.
“A gente não loteia governo”, declarou.
Segundo Riedel, a montagem da equipe dependerá primeiro da definição da estrutura administrativa e das necessidades de cada setor. A capacidade de executar as políticas públicas deverá orientar a escolha dos integrantes do segundo mandato.
Na Saúde, a reestruturação do Hospital Regional é um dos principais projetos em andamento e aparece como um dos fatores que motivam Maurício Simões a desejar permanecer no cargo. A proposta reúne expansão do atendimento, atualização de equipamentos e mudanças na administração dos serviços de apoio.
A Parceria Público-Privada (PPP) foi contratada por 30 anos com a Inova Saúde MS, subsidiária da Construcap. Pelo modelo, o hospital continuará público e com atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A assistência médica e de enfermagem seguirá sob responsabilidade do Estado.
À concessionária caberão as obras, os equipamentos e os serviços não assistenciais. O planejamento prevê elevar o número de leitos de 362 para 577. No pronto-socorro, a capacidade deverá passar de 22 para 77 leitos.
A ampliação também poderá aumentar a média de internações, atualmente em aproximadamente 1,4 mil pacientes por mês, para 2.760. Estão previstos centros de cardiologia e oncologia, expansão da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e fortalecimento da maternidade de alto risco.
Durante a apresentação da parceria, o governo anunciou R$ 966 milhões destinados a obras, modernização e renovação tecnológica. O cronograma estabelece dois anos para a expansão e outros dois para a reforma das instalações existentes.
Maurício participa das discussões sobre esse modelo desde antes da licitação. Em fevereiro de 2024, durante reunião com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o secretário já apresentava a possibilidade de adotar uma PPP em determinados serviços hospitalares, mantendo a gestão assistencial pública.
Sua participação também consta no contrato, no qual aparece como ordenador de despesas e um dos signatários. O documento foi assinado em 23 de abril de 2026 e publicado no Diário Oficial em 11 de maio.
A execução prevê a construção de novos blocos e a transferência gradual dos serviços. Essa organização permitirá reformar as estruturas antigas enquanto o hospital mantém o atendimento à população.
