O Ministério Público Estadual (MPE) pediu à Justiça acesso aos dados bancários e fiscais de dois ex-dirigentes da Santa Casa de Campo Grande para investigar se eles receberam propina relacionada ao suposto desvio de R$ 1,9 milhão do hospital. A medida tem como alvos o ex-vice-presidente da instituição, o engenheiro Jary Carvalho de Castro, e o ex-diretor-adjunto administrativo e financeiro Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa.
Os dois já são réus no processo que apura irregularidades no contrato firmado com a Redvaleu Tecnologia Administração e Serviços, de Maurício Aparecido Benites, e foram alvos da Operação Antidotum, deflagrada em 11 de setembro de 2026.
O requerimento, apresentado em 9 de outubro pelos promotores Adriano Lobo Viana de Resende, Luciano Bordignon Conte e Jorge Ferreira Neto Júnior, abrange o período de 1º de janeiro de 2024 a julho de 2026. O pedido será analisado pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande.
Segundo o MPE, Mariosa foi responsável pela formalização do contrato e também participou das decisões internas sobre a execução dos serviços e a liberação dos pagamentos. Ele teria sido chamado a intervir quando órgãos de fiscalização passaram a cobrar esclarecimentos sobre a contratação.
“Sua atuação, contudo, não se limitou à formalização do contrato”, afirmaram os promotores no pedido.
A acusação sustenta que Benites mantinha contato direto com Mariosa para tratar das datas e da liberação dos valores. Já o então diretor administrativo e financeiro Rinaldo Hakme Romano, conforme o Ministério Público, determinava os adiantamentos ao setor financeiro e exigia os comprovantes das transferências.
Ainda de acordo com os promotores, mesmo diante de evidências de que os serviços não eram executados, Mariosa e outros investigados não tomaram providências para interromper o contrato, apurar as falhas ou recuperar o dinheiro. A acusação afirma que houve alteração das condições contratuais, com redução das obrigações da empresa e manutenção do valor máximo mensal previsto.
Para o MPE, a análise dos dados de Mariosa permitirá reconstruir sua movimentação financeira, identificar possíveis repasses relacionados aos recursos investigados e comparar a evolução de seu patrimônio com as informações fiscais.
Em relação a Jary Carvalho de Castro, ex-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS), os promotores apontam participação nas negociações anteriores à formalização do contrato.
Segundo a acusação, informações obtidas nos dispositivos de Castro e Romano indicam que a empresa já havia sido escolhida antes da abertura do procedimento administrativo e que Benites tinha acesso direto aos dirigentes responsáveis pelas decisões internas.
O Ministério Público também atribui a Castro a atuação para dar prioridade aos pagamentos à empresa, colocando-os à frente de outras obrigações do hospital, mesmo sem a correspondente prestação dos serviços.
Com a quebra dos sigilos, os promotores pretendem verificar a circulação dos valores, possíveis entradas de dinheiro incompatíveis com a renda declarada e movimentações realizadas no mesmo período dos pagamentos feitos pela Santa Casa.
A Justiça já autorizou o acesso aos dados bancários e fiscais da ex-presidente Alir Terra Lima, de Rinaldo Hakme Romano, do ex-diretor administrativo Alessandro Dias Junqueira, da supervisora de prontuários Monique Gregório de Oliveira e do empresário Maurício Aparecido Benites.

