Procedimento apura possíveis falhas no atendimento e danos aos consumidores de Campo Grande; concessionária atribui destruição a evento climático extraordinário
A demora de até quatro dias para restabelecer a energia após o temporal de 10 de setembro, em Campo Grande, levou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul a abrir uma investigação sobre a atuação da Energisa. O órgão pretende apurar possíveis falhas no serviço e avaliar medidas de reparação pelos prejuízos sofridos pelos consumidores.
Instaurado em 6 de outubro, o procedimento foi oficializado pela Portaria nº 014/2026, publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (9). A defensora pública Thaisa Raquel Medeiros de Albuquerque Defante conduzirá os trabalhos, com prazo inicial de 45 dias, prorrogável.
A iniciativa partiu do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa do Consumidor e demais Matérias Cíveis Residuais (Nuccon). A apuração deverá esclarecer as circunstâncias da interrupção prolongada e verificar eventuais danos individuais e coletivos.
O temporal atingiu a Capital no fim da tarde, com rajadas próximas de 84 km/h, derrubando árvores, postes e outras estruturas. Segundo levantamento divulgado pela Defesa Civil à época, aproximadamente 300 mil pessoas foram afetadas pela falta de eletricidade.
Dois dias depois, a Energisa informou ter recuperado o fornecimento para 95,9% dos clientes atingidos. Entretanto, moradores de pelo menos 13 bairros ainda relatavam interrupções, entre eles Jardim Noroeste, Monte Castelo, Tiradentes, Vila Nasser, Universitário e Santo Antônio.
A falta de energia comprometeu a conservação de alimentos, o funcionamento do comércio e, em alguns pontos, o abastecimento de água. Na Vila Olinda, comerciantes recorreram a caixas térmicas para tentar preservar carnes, sorvetes e bebidas.
Na manhã de segunda-feira (14), a concessionária anunciou que 99,9% dos clientes afetados já estavam com o serviço restabelecido, mas ainda havia consumidores aguardando atendimento. Na ocasião, atribuiu os casos restantes à complexidade dos danos e às novas chuvas.
A investigação poderá examinar o tempo de recuperação da rede, o atendimento prestado e os prejuízos materiais. A abertura do procedimento não representa condenação da empresa nem assegura indenização automática aos consumidores.
Em resposta, a Energisa informou que recebeu o pedido de esclarecimentos e responderá no prazo estabelecido, com base em informações já encaminhadas às agências reguladoras Agems e Aneel.
A distribuidora classificou o temporal como um evento climático extraordinário e destacou que a destruição levou a Prefeitura a decretar situação de emergência. Segundo a empresa, aproximadamente 370 árvores foram retiradas da rede elétrica e mais de 300 estruturas, incluindo postes e transformadores, precisaram ser substituídas entre 10 e 13 de setembro.
Mais de 800 profissionais participaram dos reparos, com reforços de outras cidades de Mato Grosso do Sul e de oito estados. No balanço apresentado, a Energisa afirmou que restabeleceu o serviço para 77% dos clientes atingidos em até 12 horas e para mais de 90% em 24 horas. A normalização completa, conforme a concessionária, ocorreu após 86 horas.
