Canetas emagrecedoras estão entre os principais alvos; apreensões no Estado já chegaram a R$ 4,5 milhões somente até maio deste ano
Brasil e Paraguai decidiram reforçar o combate à entrada e circulação de medicamentos ilegais pela fronteira com Mato Grosso do Sul, em um momento de crescimento expressivo das apreensões, principalmente de canetas emagrecedoras trazidas do país vizinho.
Um novo acordo entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) prevê ampliação da fiscalização, compartilhamento de informações e maior integração no enfrentamento à falsificação e ao comércio irregular de produtos sujeitos ao controle sanitário.
O documento foi assinado nesta quinta-feira (20) por representantes dos dois órgãos.
A iniciativa tem impacto direto em Mato Grosso do Sul, Estado que possui extensa faixa de fronteira com o Paraguai e intenso trânsito de pessoas, veículos e mercadorias, principalmente na região de Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo.
Apreensões milionárias em MS
Os números ajudam a dimensionar o problema.
Dados divulgados neste ano mostram que as apreensões de canetas emagrecedoras contrabandeadas pela fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai atingiram R$ 4,5 milhões somente até maio de 2026.
Em 2024, o valor estimado dessas apreensões havia sido de aproximadamente R$ 750 mil. Em 2025, saltou para R$ 2,4 milhões.
Ou seja, em apenas cinco meses de 2026, o valor apreendido já era quase o dobro de todo o ano anterior.
A Polícia Rodoviária Federal também contabilizava 9.927 unidades de medicamentos apreendidas desde junho de 2025.
Outro levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontou que, desde 2025, mais de 3 mil caixas de canetas emagrecedoras haviam sido retiradas de circulação. Cada caixa continha, em média, quatro unidades do medicamento.
Somente na primeira quinzena de 2026, foram apreendidas 189 caixas nas rodovias estaduais.
Uma operação de fiscalização realizada na fronteira de Mato Grosso do Sul também resultou na retirada de circulação de mais de 20 mil itens irregulares, incluindo medicamentos para emagrecimento, anabolizantes e hormônios.
Canetas paraguaias preocupam autoridades
O crescimento do mercado de medicamentos para emagrecimento aumentou a preocupação das autoridades brasileiras com produtos adquiridos no Paraguai e introduzidos irregularmente no Brasil.
Entre eles estão versões contendo substâncias como tirzepatida e semaglutida.
O novo acordo entre Anvisa e Dinavisa estabelece maior intercâmbio de informações entre as autoridades sanitárias brasileiras e paraguaias, além da aproximação dos procedimentos regulatórios adotados pelos dois países.
A cooperação deverá fortalecer ações destinadas a identificar medicamentos falsificados, adulterados, comercializados irregularmente ou sem procedência adequada.
Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a integração entre os órgãos reguladores permitirá ampliar a capacidade de fiscalização.
“A aproximação regulatória entre os países da região é um passo importante para incrementar as ações de fiscalização”, afirmou.
O diretor nacional interino da Dinavisa, Jorge Iliou Silvero, destacou que Brasil e Paraguai enfrentam desafios semelhantes relacionados à proteção da saúde pública e que a atuação conjunta poderá fortalecer os mecanismos de controle.
Fronteira de MS entra no foco
Para Mato Grosso do Sul, a parceria ganha relevância diante do volume crescente de medicamentos apreendidos e da facilidade de deslocamento existente entre municípios brasileiros e cidades paraguaias.
A expectativa é que a troca mais rápida de informações entre os órgãos sanitários permita identificar carregamentos suspeitos, rastrear produtos e ampliar a retirada de circulação de medicamentos falsificados, irregulares ou sem procedência comprovada.
Com apreensões milionárias e milhares de unidades interceptadas, a fronteira de Mato Grosso do Sul passa a ocupar posição estratégica no novo esforço conjunto de Brasil e Paraguai contra o mercado clandestino de medicamentos.
