Dos 24 investigados pelos crimes registrados neste ano, 20 foram presos, três morreram após os assassinatos e um está foragido; médico acusado no caso Fabíola Marcotti deixou a prisão
Mato Grosso do Sul chegou a 23 mulheres vítimas de feminicídio em 2026, em uma sequência de crimes que expõe a escalada da violência contra a mulher no Estado. Ao todo, 24 pessoas são investigadas, já que um dos casos envolve dois suspeitos.
Entre os investigados, 20 foram presos, três tiraram a própria vida após os crimes e um permanece foragido. Apenas um dos acusados obteve autorização judicial para responder ao processo em liberdade: o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, investigado pela morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos.
Caso Fabíola
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de maio, na residência onde vivia com o médico, em Campo Grande. Inicialmente, o caso foi apresentado como possível suicídio, versão sustentada pelo marido.
A investigação, porém, tomou outro rumo depois dos exames periciais. Segundo as informações reunidas no caso, os laudos indicaram que o disparo que matou a fisioterapeuta ocorreu a longa distância, circunstância considerada incompatível com a versão inicialmente apresentada. Jazbik acabou preso em 14 de agosto.
O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Seis dias depois, decisão do desembargador Emerson Cafure, da 1ª Câmara Criminal, permitiu que o médico deixasse a prisão.
Com a decisão, Jazbik passou a responder ao processo em liberdade e sem uso de tornozeleira eletrônica. Entre os fundamentos considerados estão a idade de 78 anos, primariedade, residência fixa e condições de saúde.
A defesa sustenta a inocência do médico e afirma que contestará os laudos durante o processo. Também mantém a tese de suicídio e cita registros atribuídos à vítima que, segundo os advogados, demonstrariam ideação suicida.
Já a defesa da família de Fabíola contesta duramente essa versão e argumenta que qualquer hipótese precisa ser confrontada com as provas técnicas produzidas pela perícia.
Uma sequência de mortes
Os casos registrados em 2026 ocorreram em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul e apresentam circunstâncias variadas, mas muitos têm em comum relações afetivas ou familiares marcadas por violência.
O primeiro feminicídio relacionado no levantamento ocorreu em 16 de janeiro, em Bela Vista. Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta a tiros por João Fernando Viegas, de 51 anos, que posteriormente tirou a própria vida.
Depois vieram crimes em Corumbá, Coxim, Três Lagoas, Ponta Porã, Anastácio, Paranhos, Selvíria, Campo Grande, Eldorado, Mundo Novo e outros municípios.
Entre os episódios mais violentos está o assassinato de Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, morta a marteladas em Ponta Porã. Segundo o levantamento, o crime aconteceu diante dos três filhos, de 11, 15 e 17 anos. O suspeito, Elianderson Duarte, chegou a fugir do presídio e permaneceu foragido por 14 dias até ser localizado.
Em outro caso, em Mundo Novo, Zelita Rodrigues de Souza, de 77 anos, teria sido espancada e morta. O investigado Vicente Asúncion Vidal Gonzalez permaneceu quatro dias na residência com o corpo antes de o crime ser descoberto.
Agosto concentra novos casos
O mês de agosto acrescentou novos nomes à estatística. Em Dourados, Rose Batista Cabreira, de 41 anos, foi morta em um caso no qual duas pessoas são apontadas como envolvidas: Odete Benites e Renê de Souza. Conforme o levantamento, Renê permanece foragido.
Em Paranhos, Adriana Barrios, de 22 anos, foi morta em 5 de agosto. No dia seguinte, Nathália Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi assassinada a facadas pelas costas durante uma discussão em Rio Verde de Mato Grosso. O crime ocorreu na presença dos filhos dela, de 5 e 9 anos.
No dia 19 de agosto, Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, foi morta com golpes de foice. Lourival da Cruz Neto, de 19 anos, apontado como suspeito, foi localizado horas depois em Jaraguari. Ele é o mais jovem entre os investigados relacionados no levantamento.
O caso mais recente envolve Fátima Alves de Matos, de 54 anos. Rubens Alves Justino foi preso na sexta-feira (21), suspeito da morte. Ele negou o crime, mas, conforme as informações do caso, ferimentos encontrados no corpo da vítima contradizem a versão apresentada pelo suspeito.
Com 23 mulheres mortas em pouco mais de sete meses, Mato Grosso do Sul mantém uma sequência preocupante de feminicídios em 2026. Os casos atravessam diferentes faixas etárias e municípios, reforçando a dimensão estadual do problema e a necessidade de ampliar prevenção, proteção às vítimas e resposta rápida às denúncias de violência doméstica.
Com infos do portal Primeira Página
