Suzilaine da Graça Costa, de 37 anos, presa pelo sequestro de uma recém-nascida na Capital, já havia sido alvo de uma medida protetiva expedida pela Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente (VECA). O processo, fundamentado na Lei Henry Borel, tramitou na Justiça de Mato Grosso do Sul e acabou arquivado no fim de novembro de 2024.
A decisão judicial buscava proteger duas filhas adolescentes de Suzilaine e os responsáveis pela guarda das jovens. A ordem foi emitida após a apuração de que as garotas foram vítimas de abusos sexuais praticados pelo antigo companheiro da mãe, crime que teria contado com a permissão de Suzilaine. Diante de tentativas da investigada em reaver a custódia das filhas e de ameaças feitas a parentes — alegando inclusive ligação com uma facção criminosa —, a proteção legal foi concedida. O caso foi encerrado após o Ministério Público indicar falta de provas para uma ação penal.
Mãe de três filhos, que ficaram predominantemente sob os cuidados de familiares, a suspeita cresceu no Bairro Jardim Colibri.
O planejamento e a farsa do sequestro
A mulher é apontada pela polícia por planejar o rapto da recém-nascida para sustentar uma falsa gravidez mantida por meses. Após a farsa ser descoberta por familiares, ela passou a procurar uma criança que se alinhasse ao perfil da suposta gestação.
A mãe do bebê, uma jovem de 17 anos, relatou ter conhecido Suzilaine pela internet durante a gravidez, quando a mulher ofereceu um ensaio fotográfico para a recém-nascida. Posteriormente, a suspeita atraiu a adolescente e a irmã dela, de 13 anos, até uma residência com a promessa de pagar R$ 100 por um trabalho de babá. Durante a madrugada do dia 7 de agosto, as jovens foram rendidas e abandonadas perto de uma área de mata nas imediações da UPA do Bairro Universitário, enquanto o bebê de apenas 28 dias foi levado.
A recém-nascida foi localizada na madrugada de domingo (9) em uma residência em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, graças ao rastreamento de sinais telefônicos. Suzilaine e o atual companheiro, Alex Melo de Abreu, apontado como cúmplice no crime, foram presos pelas autoridades paraguaias. A criança foi resgatada e devolvida em segurança aos pais.
