A indústria frigorífica de Mato Grosso do Sul enfrenta um período de retração na produção diante da combinação de fatores que pressionam o setor. Além da paralisação temporária de duas plantas de abate, outras unidades reduziram o ritmo de produção entre 35% e 40%, reflexo do encerramento da cota anual de importação de carne bovina pela China, da escassez de animais prontos para o abate e das dificuldades de comercialização.
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), Régis Luís Comarella, o momento exige cautela por parte das empresas. Segundo ele, com o esgotamento da cota chinesa, os embarques realizados antes da reabertura, prevista para janeiro de 2027, ficam sujeitos a uma tarifa de 67%, composta pela alíquota regular de 12% e uma sobretaxa de 55%.
Além disso, embora os Estados Unidos continuem importando carne bovina brasileira, os preços pagos pelo mercado norte-americano não acompanham os valores da arroba praticados no Brasil.
Atualmente, a arroba do boi gordo permanece entre R$ 330 e R$ 335, patamar considerado elevado para o mercado interno, o que dificulta a rentabilidade das indústrias.
Diante desse cenário, diversas empresas readequaram suas operações. Enquanto duas unidades suspenderam temporariamente os abates, outras reduziram a capacidade de processamento, concederam férias coletivas ou passaram a operar parcialmente.
Apesar da desaceleração nas linhas de produção, as escalas de compra seguem curtas, situação considerada atípica pelo setor. Normalmente, a redução dos abates amplia o período de programação das indústrias, mas a oferta limitada de animais impede esse movimento.
Segundo Comarella, ainda não há clareza se os pecuaristas estão retendo os animais à espera de melhores preços ou se a disponibilidade de bovinos terminados realmente diminuiu. O fato é que a oferta segue restrita, mesmo com a redução significativa da atividade industrial.
Para o dirigente do Sicadems, dois fatores sustentam o atual momento: a limitação das exportações para a China após o encerramento da cota anual e a escassez de bois prontos para o abate, que chegam ao mercado com preços superiores aos suportados pelos frigoríficos.
A expectativa do setor é de que a recuperação não ocorra de forma imediata, mantendo a arroba pressionada no curto prazo.
Essa avaliação é compartilhada pelo pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), Thiago Bernardino de Carvalho. Segundo ele, o mercado vive uma fase de transição, em que o principal desafio é direcionar parte da produção para outros mercados enquanto a demanda chinesa permanece limitada.
Na avaliação do pesquisador, a pressão sobre os preços deve persistir até meados de setembro. A partir desse período, a tendência é de retomada gradual das compras pelos frigoríficos, que precisam iniciar o processamento da carne destinada aos embarques da nova cota chinesa prevista para janeiro de 2027.
Como a logística de exportação exige tempo para abate, processamento, certificação sanitária e transporte, a aquisição dos animais deve se intensificar entre setembro e outubro, impulsionando a demanda por bois terminados.
O movimento já aparece nas negociações futuras da arroba, que indicam valores superiores a R$ 360 no fim do ano, chegando próximo de R$ 370 nos contratos com vencimento em janeiro.
Apesar das dificuldades atuais, o cenário internacional segue favorável para a carne bovina brasileira. A redução dos rebanhos nos Estados Unidos, Canadá e Austrália limita a oferta global, enquanto mercados como Egito, Malásia, Filipinas e Indonésia ampliam as importações do produto brasileiro. Além disso, continuam as negociações para abertura dos mercados do Japão e da Coreia do Sul, o que pode fortalecer ainda mais as exportações brasileiras nos próximos meses.
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), Régis Luís Comarella, o momento exige cautela por parte das empresas. Segundo ele, com o esgotamento da cota chinesa, os embarques realizados antes da reabertura, prevista para janeiro de 2027, ficam sujeitos a uma tarifa de 67%, composta pela alíquota regular de 12% e uma sobretaxa de 55%.
Além disso, embora os Estados Unidos continuem importando carne bovina brasileira, os preços pagos pelo mercado norte-americano não acompanham os valores da arroba praticados no Brasil.
Atualmente, a arroba do boi gordo permanece entre R$ 330 e R$ 335, patamar considerado elevado para o mercado interno, o que dificulta a rentabilidade das indústrias.
Diante desse cenário, diversas empresas readequaram suas operações. Enquanto duas unidades suspenderam temporariamente os abates, outras reduziram a capacidade de processamento, concederam férias coletivas ou passaram a operar parcialmente.
Apesar da desaceleração nas linhas de produção, as escalas de compra seguem curtas, situação considerada atípica pelo setor. Normalmente, a redução dos abates amplia o período de programação das indústrias, mas a oferta limitada de animais impede esse movimento.
Segundo Comarella, ainda não há clareza se os pecuaristas estão retendo os animais à espera de melhores preços ou se a disponibilidade de bovinos terminados realmente diminuiu. O fato é que a oferta segue restrita, mesmo com a redução significativa da atividade industrial.
Para o dirigente do Sicadems, dois fatores sustentam o atual momento: a limitação das exportações para a China após o encerramento da cota anual e a escassez de bois prontos para o abate, que chegam ao mercado com preços superiores aos suportados pelos frigoríficos.
A expectativa do setor é de que a recuperação não ocorra de forma imediata, mantendo a arroba pressionada no curto prazo.
Essa avaliação é compartilhada pelo pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), Thiago Bernardino de Carvalho. Segundo ele, o mercado vive uma fase de transição, em que o principal desafio é direcionar parte da produção para outros mercados enquanto a demanda chinesa permanece limitada.
Na avaliação do pesquisador, a pressão sobre os preços deve persistir até meados de setembro. A partir desse período, a tendência é de retomada gradual das compras pelos frigoríficos, que precisam iniciar o processamento da carne destinada aos embarques da nova cota chinesa prevista para janeiro de 2027.
Como a logística de exportação exige tempo para abate, processamento, certificação sanitária e transporte, a aquisição dos animais deve se intensificar entre setembro e outubro, impulsionando a demanda por bois terminados.
O movimento já aparece nas negociações futuras da arroba, que indicam valores superiores a R$ 360 no fim do ano, chegando próximo de R$ 370 nos contratos com vencimento em janeiro.
Apesar das dificuldades atuais, o cenário internacional segue favorável para a carne bovina brasileira. A redução dos rebanhos nos Estados Unidos, Canadá e Austrália limita a oferta global, enquanto mercados como Egito, Malásia, Filipinas e Indonésia ampliam as importações do produto brasileiro. Além disso, continuam as negociações para abertura dos mercados do Japão e da Coreia do Sul, o que pode fortalecer ainda mais as exportações brasileiras nos próximos meses.
