Um ex-funcionário da Fazenda Campo Novo, propriedade rural atribuída ao cantor Almir Sater em Aquidauana, acionou a Justiça do Trabalho e pede R$ 84.725,88 em indenizações e verbas trabalhistas após sofrer um acidente durante o serviço. Na ação, protocolada em abril deste ano, o ex-campeiro afirma ter fraturado costelas depois de cair de um cavalo e ser pisoteado pelo animal.
De acordo com a petição, o trabalhador foi contratado em novembro de 2025 para atuar como campeiro, com salário de R$ 1.923 e jornada iniciada às 3h30. Entre as funções desempenhadas estavam a ordenha de vacas durante a madrugada, o acompanhamento de animais doentes e a condução do rebanho bovino montado a cavalo.
A narrativa apresentada à Justiça aponta que o primeiro episódio envolvendo o cavalo ocorreu dias antes do acidente principal. Segundo a defesa do ex-funcionário, ele teria sofrido uma queda ao montar o animal, chamado “Branco”, e comunicado o fato ao capataz e ao encarregado, pedindo a substituição da montaria. O pedido, no entanto, teria sido ignorado.
O acidente que motivou a ação ocorreu em 26 de fevereiro deste ano, durante a condução do gado. Conforme o processo, o mesmo cavalo voltou a ser utilizado e teria saltado bruscamente por quatro vezes, arremessando o trabalhador ao solo e, em seguida, pisoteando sua região torácica. O impacto, segundo os autos, causou fraturas nas costelas e o afastamento das atividades.
A petição também relata que, após o acidente, o trabalhador pediu ajuda para ser levado a uma unidade de saúde, mas permaneceu na fazenda por cinco dias, sentindo fortes dores e dependendo de medicamentos fornecidos por colegas. A defesa afirma ainda que familiares teriam recebido informações de que ele estava bem, apesar da gravidade do quadro.
Segundo a ação, somente cinco dias depois o ex-peão conseguiu deixar a propriedade rural em busca de atendimento médico. Um boletim de ocorrência registrado pela Polícia Rodoviária Federal, em Miranda, no dia 3 de março, informa que ele seguia para Campo Grande após relatar ter sido vítima de pisoteamento de cavalo. Durante a abordagem, os policiais identificaram a existência de um mandado de prisão civil por dívida alimentar expedido anteriormente pela Justiça Estadual.
Diante da situação, a 3ª Vara de Família de Campo Grande suspendeu por 30 dias a ordem de prisão. Em decisão assinada em 9 de março, a juíza Luciane Buriasco Isquerdo considerou que havia documentos comprovando o acidente e a necessidade de atendimento médico, o que justificou a suspensão da medida em caráter excepcional.
Os autos trabalhistas também incluem documentos médicos produzidos em Miranda. Um dos registros informa que o paciente procurou atendimento após relatar queda de cavalo cinco dias antes, seguida de pisoteamento na região torácica. O prontuário menciona dores no tórax, avaliação médica e exames de imagem.
Na ação, o ex-funcionário pede o reconhecimento da estabilidade provisória prevista em casos de acidente de trabalho, além do pagamento de indenizações e demais verbas trabalhistas. A defesa cita ainda a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), documento utilizado para formalizar ocorrências dessa natureza.
O processo tramita na Vara do Trabalho de Aquidauana e ainda não teve julgamento de mérito.
Outro lado
O advogado Nilson de Oliveira Castela, apontado nos autos como representante de Almir Sater, informou que há tratativas para um possível acordo com a defesa do ex-peão.
Em nota, a defesa afirmou que a CAT foi emitida regularmente, conforme determina a legislação, mas contestou a versão de que o cavalo seria arisco ou já teria provocado acidentes anteriores. Segundo o advogado, os elementos reunidos até o momento indicam que o acidente decorreu da forma como o animal foi conduzido pelo trabalhador, circunstâncias que, segundo ele, serão esclarecidas no decorrer do processo caso não haja acordo entre as partes.
