Nos primeiros dez dias de junho, Campo Grande registrou seis homicídios, número que já se equipara ao total de assassinatos contabilizados no mesmo período nos 44 municípios da faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia.
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que a quantidade de mortes violentas na Capital também se aproxima do total registrado durante todo o mês de junho de 2025, quando sete pessoas foram assassinadas.
O cenário chama atenção porque, historicamente, a região de fronteira concentra os maiores índices de violência do Estado, especialmente devido à atuação de facções criminosas envolvidas em disputas por rotas de tráfico de drogas. Mesmo assim, Campo Grande alcançou, em apenas dez dias, o mesmo número de homicídios registrados em mais da metade dos municípios sul-mato-grossenses somados.
A faixa de fronteira considerada pela Sejusp engloba cidades como Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos, Amambai, Porto Murtinho, Corumbá, Dourados, Naviraí, Mundo Novo e outros municípios localizados próximos às fronteiras com Paraguai e Bolívia.
Crimes recentes na Capital
Os casos mais recentes ocorreram entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira, quando dois homens foram mortos em diferentes regiões de Campo Grande.
No Jardim Tijuca, Jonny Santana Souza, de 40 anos, foi executado após um homem armado se aproximar em uma motocicleta e anunciar um suposto assalto. Segundo a investigação, imagens de câmeras de segurança indicam que o criminoso simulou o roubo antes de atirar contra a vítima.
Jonny estava no banco do passageiro de um veículo quando foi abordado. Após uma tentativa frustrada de disparo, ele tentou fugir, mas foi perseguido e atingido por vários tiros. A perícia recolheu dez cápsulas de munição calibre 9 milímetros no local. A polícia também apura a possível participação de ocupantes de um carro que teria dado apoio ao atirador.
Horas depois, no Jardim Noroeste, Tiago Robson Reis de Lima, de 38 anos, foi morto após uma discussão iniciada por causa de um cigarro.
De acordo com testemunhas, o desentendimento começou quando um homem pediu um cigarro à vítima e recebeu uma negativa. Após a discussão, o indivíduo retornou acompanhado da esposa e de outro familiar. O trio teria invadido a residência de Tiago armado com facas e um pedaço de madeira.
Mesmo tentando se defender, a vítima foi atingida por uma facada no abdômen. Tiago ainda correu para escapar dos agressores, mas foi perseguido e morto. Os suspeitos fugiram do local em um veículo e são procurados pela polícia.
Fronteira também registra mortes
Na região de fronteira, o número de homicídios também chegou a seis após a morte de um empresário que estava internado desde o dia 2 de junho.
Ele havia sido alvo de diversos disparos em sua residência e permaneceu hospitalizado por vários dias, mas não resistiu aos ferimentos. Com o óbito, a estatística da faixa de fronteira alcançou o mesmo patamar registrado em Campo Grande no período.
Especialistas da segurança pública observam que, embora os contextos criminais sejam distintos, os números evidenciam um aumento da violência letal na Capital, onde os homicídios recentes estão relacionados principalmente a desavenças pessoais, execuções e acertos de contas.
