O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a identificação de 42 casos de reações adversas graves registrados pelo sistema nacional de vigilância pós-vacinação.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cerca de 500 mil doses do imunizante já haviam sido aplicadas quando os episódios começaram a ser detectados. Entre os registros, três casos foram classificados como graves, incluindo dois óbitos que seguem sob investigação. Até o momento, não há comprovação de que as mortes ou demais reações tenham sido causadas diretamente pela vacina.
De acordo com a pasta, alguns dos eventos observados não haviam sido identificados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante. Por precaução, a vacinação com a dose do Butantan foi interrompida temporariamente até que todas as análises técnicas sejam concluídas.
A investigação será conduzida pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Butantan. O objetivo é verificar possíveis fatores em comum entre os pacientes que apresentaram reações graves, além de avaliar aspectos relacionados ao armazenamento, transporte e aplicação das doses.
O governo federal informou que as vacinas já distribuídas aos estados e municípios não serão descartadas. Os lotes permanecerão armazenados em condições adequadas até a conclusão das investigações.
A suspensão não afeta outras estratégias de imunização contra a dengue disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde reforçou que pessoas já vacinadas continuam consideradas protegidas e, até o momento, não há recomendação de medidas adicionais além do monitoramento de possíveis sintomas.
Em Mato Grosso do Sul, a medida atinge uma estratégia iniciada neste ano voltada exclusivamente para profissionais da Atenção Primária à Saúde. Em fevereiro, o Estado recebeu 7.878 doses do imunizante destinadas a médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e demais trabalhadores das unidades básicas.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que ainda aguarda comunicação oficial do Ministério da Saúde sobre os procedimentos relacionados à suspensão, mas afirmou que seguirá as orientações federais assim que forem formalizadas.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas observem, durante os 21 dias seguintes à aplicação, o surgimento de sintomas como febre, dores no corpo, náuseas, vômitos, dor abdominal intensa, sangramentos ou outros sinais compatíveis com dengue. Em caso de manifestações incomuns, a recomendação é procurar atendimento médico e informar a data da vacinação.
Em nota, o Instituto Butantan afirmou que a suspensão tem caráter preventivo e destacou que os casos registrados ainda estão sendo investigados, sem confirmação de vínculo causal com o imunizante. A instituição ressaltou que, entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas, foram identificados 42 eventos adversos e três ocorrências consideradas mais graves.
O Butantan também informou que campanhas de vacinação em massa realizadas nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) não registraram reações adversas relevantes. Segundo a instituição, estudos publicados em revista científica internacional apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e proteção de 89% contra formas graves da doença.
As investigações seguem em andamento e a retomada da vacinação dependerá da conclusão das análises sobre a segurança do imunizante.

