O estudo avalia características estruturais das estradas capazes de minimizar ou agravar as consequências de acidentes de trânsito. No Estado, outros 2.282 quilômetros foram enquadrados na faixa de médio Índice de Perdão, enquanto apenas 433 quilômetros alcançaram a classificação de alto nível de segurança. Com esse cenário, Mato Grosso do Sul aparece na 13ª posição entre os sistemas rodoviários considerados mais perigosos do país, com 42% da malha analisada enquadrada na categoria de baixo perdão.
A metodologia leva em conta elementos como acostamentos, barreiras de proteção, defensas metálicas, áreas livres de obstáculos e dispositivos de absorção de impacto. Quanto maior o Índice de Perdão, maior a capacidade da rodovia de reduzir os danos causados por falhas humanas, problemas mecânicos ou acidentes inevitáveis.
Apesar do elevado número de trechos classificados como de baixo perdão, o Estado também ocupa a 15ª colocação no ranking nacional de rodovias mais seguras, refletindo um cenário intermediário quando comparado às demais unidades da federação.
Em âmbito nacional, a pesquisa identificou que 19,9% da malha rodoviária analisada, equivalente a 22.694 quilômetros, possui alto Índice de Perdão. Outros 42,7% dos trechos foram classificados na faixa intermediária e 37,5% receberam avaliação de baixo perdão.
Segundo a CNT, mais de 80% das rodovias avaliadas ainda apresentam média ou alta probabilidade de que falhas na infraestrutura, associadas a erros de condução ou defeitos mecânicos, resultem em mortes ou ferimentos graves.
O levantamento também revela diferenças significativas entre os modelos de gestão. Nas rodovias administradas pelo poder público, metade da extensão analisada apresenta baixo Índice de Perdão, enquanto apenas 4,8% alcançam alto padrão de segurança. Já nas estradas concedidas à iniciativa privada, 62% dos trechos possuem alto Índice de Perdão e somente 2,4% são classificados com baixo nível de proteção.
De acordo com a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, os resultados reforçam a relação direta entre a qualidade da infraestrutura e a gravidade dos acidentes. Para a entidade, os números evidenciam a necessidade de ampliar investimentos em segurança viária, especialmente nas rodovias sob administração pública.
A análise territorial mostra ainda que os trechos mais seguros estão concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde predominam as concessões rodoviárias. Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste continuam registrando corredores rodoviários classificados entre médio e baixo Índice de Perdão, inclusive em importantes rotas de transporte de cargas e passageiros.
