As ações de combate ao furto de energia em Mato Grosso do Sul levaram à identificação de 2.977 irregularidades entre janeiro e abril de 2026. Segundo a Energisa MS, o volume de energia recuperado no período alcançou 5,4 gigawatt-hora (GWh), quantidade suficiente para abastecer aproximadamente 65 mil residências durante um ano.
Do total de ocorrências, 1.400 envolveram ligações clandestinas, conhecidas como “gatos”, enquanto outras 1.577 foram relacionadas à adulteração de medidores para reduzir artificialmente o consumo registrado e, consequentemente, o valor das contas de energia.
Campo Grande, Corumbá, Dourados, Ladário, Rio Brilhante, Aparecida do Taboado, Ponta Porã, Sidrolândia, Anastácio e Itaquiraí estão entre os municípios com maior número de irregularidades detectadas pela concessionária.
De acordo com a Energisa, os prejuízos provocados por furtos e fraudes vão além das perdas da empresa. A energia desviada acaba impactando a composição das tarifas, elevando custos para todos os consumidores atendidos pela distribuidora. Além disso, as irregularidades comprometem a qualidade do fornecimento e reduzem a arrecadação de impostos.
Para enfrentar o problema, a concessionária realizou 19.880 inspeções técnicas nos quatro primeiros meses do ano e, em operações conjuntas com as polícias Militar e Civil, registrou quatro prisões. A previsão é promover outras 18 ações integradas com as forças de segurança até o fim de 2026.
A empresa também informou que pretende investir cerca de R$ 16 milhões neste ano em tecnologia, monitoramento da rede elétrica e fiscalizações de campo para reduzir perdas de energia no Estado.
Crime e cobrança retroativa
O furto de energia é considerado crime pelo Código Penal Brasileiro, com pena prevista de um a quatro anos de reclusão, além de multa. Já a manipulação de medidores pode ser enquadrada como estelionato.
Além das sanções criminais, os responsáveis pelas irregularidades são obrigados a ressarcir a energia consumida e não faturada, conforme regras estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Risco de acidentes
A Energisa alerta que as ligações clandestinas representam perigo para toda a população. Entre os principais riscos estão choques elétricos, incêndios causados por instalações improvisadas, sobrecarga da rede e interrupções no fornecimento de energia.
Segundo a concessionária, as fraudes colocam em risco não apenas quem realiza a ligação irregular, mas também moradores vizinhos e comunidades inteiras atendidas pela rede elétrica. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos canais de atendimento da empresa ou diretamente às forças de segurança.

