Sete pessoas foram presas na manhã desta terça-feira (12) durante a Operação Buraco sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul para apurar suspeitas de fraudes em contratos de tapa-buraco firmados em 2018, em Campo Grande.
Entre os detidos estão o ex-secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, servidores da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), além de empresários e engenheiros ligados às obras investigadas.
Quem são os presos na operação ‘Buraco Sem Fim’?
- Rudi Fiorese
Rudi Fiorese é ex-secretário municipal de Obras de Campo Grande e ocupa o cargo de diretor-presidente da Agesul. Ele foi preso por suspeita de participação em fraudes ligadas a contratos de tapa-buracos e manutenção de vias.
- Edvaldo Aquino
Edvaldo Aquino, segundo o MPMS, é coordenador das ações de tapa-buracos na cidade. Ele também foi preso durante a operação. Após a prisão, a prefeitura publicou a exoneração do servidor.
- Antonio Bittencourt
Conforme o Portal da Transparência de Campo Grande, Antonio Bittencourt é dono da Construtora Rial LTDA, que soma mais de R$ 122 milhões em contratos com o município.
A defesa, feita pelos advogados Ricardo Machado e William Macksoud, informou que ainda não teve acesso aos autos e só irá se manifestar após analisar o conteúdo.
- Mehdi Talayeh
Mehdi Talayeh é engenheiro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e foi preso na operação. Após a prisão, a prefeitura publicou a exoneração do servidor.
- Erick Antônio Valadão de Paula
Erick Antônio Valadão de Paula é um dos investigados e teve mandado de prisão cumprido nesta terça-feira.
- Fernando de Souza Oliveira
Fernando de Souza Oliveira também foi preso durante a operação.
- Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa
A defesa de Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa não foi encontrada.
A operação foi realizada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.
Segundo o Ministério Público, as investigações apontam a existência de um esquema criminoso voltado à fraude sistemática na execução dos serviços de manutenção de vias públicas. O grupo teria manipulado medições e autorizado pagamentos por serviços que não teriam sido executados integralmente.
Os investigadores afirmam que o esquema teria causado prejuízos aos cofres públicos, além de comprometer a qualidade das vias urbanas da Capital. Levantamento preliminar indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada recebeu contratos e aditivos que somam mais de R$ 113,7 milhões.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes localizaram cerca de R$ 429 mil em dinheiro vivo. Na residência de Rudi Fiorese foram apreendidos aproximadamente R$ 186 mil em espécie. Em outro endereço alvo da operação, os investigadores encontraram mais de R$ 233 mil.
Parte dos presos já figura como ré em outra investigação conduzida pelo Ministério Público, a Operação Cascalhos de Areia, que apura supostas irregularidades em contratos de manutenção de vias não pavimentadas durante a gestão do ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PV).
A denúncia relacionada à operação anterior envolve crimes como peculato, corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Por meio da defesa, o ex-servidor Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula alegou não ocupar cargo na Sisep há quatro anos e afirmou acreditar que a prisão esteja relacionada aos desdobramentos da Operação Cascalhos de Areia.
Após a prisão de Rudi Fiorese, o Governo do Estado informou a exoneração dele do cargo de diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). Fiorese havia assumido a função em fevereiro de 2026, após deixar a Secretaria Municipal de Infraestrutura em 2023.
O ex-prefeito Marquinhos Trad declarou confiar na conduta do antigo secretário e afirmou que os contratos firmados durante sua administração passaram por fiscalização dos órgãos de controle. Segundo ele, eventuais questionamentos devem ser apurados com garantia ao direito de defesa e respeito ao devido processo legal.

