Um vídeo que circula nas redes sociais neste feriado mostra uma aeronave realizando uma manobra considerada perigosa na ponte da Rota Bioceânica, em construção para ligar Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai.
Nas imagens, um avião do modelo BEECH AIRCRAFT V35B aparece passando por debaixo da estrutura, surpreendendo pessoas que acompanhavam a obra. A aeronave teria características semelhantes às de um avião registrado em nome do prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra.
Consulta ao registro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indica que uma aeronave com prefixo PT-OFE, compatível com a exibida no vídeo, está vinculada ao nome do gestor. Procurado para comentar o caso e esclarecer se estava a bordo e se ainda é proprietário do avião, ele não respondeu até a publicação.
A manobra pode configurar crime, conforme o Código Penal Brasileiro. O artigo 261 trata do atentado contra a segurança de transporte aéreo, com pena prevista de dois a cinco anos de reclusão para quem expõe a risco aeronaves ou a navegação aérea. Já o artigo 132 prevê detenção de três meses a um ano para quem coloca em perigo a vida ou a saúde de outras pessoas.
O caso é alvo de apuração por parte das autoridades competentes.
Histórico de polêmicas
Nelson Cintra já esteve envolvido em outras controvérsias ao longo da vida pública. Entre elas, um afastamento de função na Fundação de Turismo do Estado após denúncia de assédio, além de menções em investigações relacionadas à operação Vostok.
Mais recentemente, também ganhou repercussão em episódios divulgados nas redes sociais, incluindo vídeos em que aparece em situações consideradas inadequadas em ambientes públicos e um desentendimento com um morador do município.
Importância da ponte
A Ponte Bioceânica é considerada estratégica para a logística brasileira. A estrutura permitirá a ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico, conectando o Brasil ao Chile por meio de um corredor rodoviário internacional.
Com isso, a expectativa é de redução significativa no tempo e na distância das exportações para mercados asiáticos. A nova rota pode encurtar o trajeto marítimo em mais de 9,7 mil quilômetros, reduzindo em cerca de 23% o tempo de viagem até países como a China.
