O Pantanal sul-mato-grossense recebe, entre os dias 20 e 25 de abril, a maior operação fluvial da América Latina voltada à defesa de fronteiras. Realizado ao longo da hidrovia Paraná-Paraguai, o treinamento reúne forças navais de cinco países — Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai — com foco no aprimoramento da atuação conjunta em ações de segurança, incluindo o combate ao crime organizado.
Batizada de Operação Ribeirinha Combinada ACRUX, a atividade chega à sua 12ª edição com a participação de mais de 700 militares. O treinamento envolve navios, embarcações rápidas, aeronaves e fuzileiros navais. A mobilização dos equipamentos ocorreu entre os dias 17 e 19 de abril, em Corumbá e Ladário, cidades estratégicas por abrigarem a base do 6º Distrito Naval da Marinha.
No sábado (18), uma cerimônia no porto geral de Corumbá marcou o início das atividades, com a presença de autoridades militares. A escolha da região também se deve ao rodízio entre os países participantes, sendo o Brasil o responsável pela organização desta edição.
Após a concentração inicial, os militares iniciam deslocamento a partir de Ladário pelo rio Paraguai, percorrendo cerca de 100 quilômetros rumo ao sul, até a área onde serão realizadas as manobras ao longo da semana. Entre os exercícios previstos estão ações táticas, operações de resgate e treinamentos de capacitação, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre patrulhamento na hidrovia.
A operação exige planejamento complexo, iniciado com cerca de um ano de antecedência. A logística inclui desde o preparo das embarcações até o abastecimento de pessoal, além da coordenação entre 19 meios navais e aeronaves. Cada embarcação desempenha funções específicas, como suporte logístico, abastecimento, resgates e projeção de força.
Além da atuação das Marinhas, o exercício conta com uma etapa interagências no Brasil, envolvendo órgãos como a Polícia Federal. A proposta é fortalecer a interoperabilidade entre as instituições e garantir respostas mais eficientes em situações reais.
De acordo com os organizadores, o ambiente do Pantanal oferece condições ideais para esse tipo de treinamento, possibilitando a integração entre operações fluviais e terrestres. O preparo das tropas também amplia a capacidade de atuação em missões especiais na região, inclusive no enfrentamento a organizações criminosas.
Neste ano, as atividades se concentram entre os quilômetros 1515 e 1453 do rio Paraguai, trecho que vai de Ladário até a região da Ilha Tira Catinga. A operação reforça o compromisso conjunto dos países participantes com a proteção das áreas de fronteira e a preservação de uma das regiões ambientais mais importantes do continente.
Na edição anterior, realizada em 2024 na Argentina, os exercícios contribuíram para avanços logísticos, adaptação a condições climáticas extremas e aprimoramento da comunicação entre as forças navais, experiências que agora são aplicadas no treinamento realizado no Brasil.
