A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (16) a Operação Baía Negra para apurar um incêndio em área da União localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, em Ladário, no Pantanal sul-mato-grossense.
Durante a ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão no município. Os alvos são moradores suspeitos de envolvimento no caso. Agentes apreenderam documentos e aparelhos celulares, que serão analisados para aprofundar as investigações e identificar possíveis outros participantes.
De acordo com a apuração, dois investigados teriam provocado o incêndio com a intenção de viabilizar a construção de um embarcadouro voltado ao manejo de gado dentro da área protegida.
Investigação
As investigações começaram em outubro de 2025, após focos de queimadas atingirem a APA Baía Negra. O incêndio teve início no dia 11 daquele mês e destruiu cerca de 1.920 hectares, segundo dados da Ecologia e Ação.
O combate às chamas mobilizou uma força-tarefa com brigadistas do Prevfogo, da Brigada Pronto Emprego Pantanal, da Taunay Ipegue e da brigada comunitária da própria APA. A operação contou com apoio de caminhão Auto Bomba Tanque Florestal, viaturas e helicóptero.
Também participaram das ações o Corpo de Bombeiros Militar e a Marinha do Brasil, atuando de forma integrada para conter o avanço do fogo.
Área abriga comunidades tradicionais
Criada em 2010, a APA Baía Negra é uma das primeiras unidades de conservação municipais do Pantanal e abriga comunidades ribeirinhas que vivem da pesca e de atividades agroextrativistas.
Antes mesmo do incêndio, ações preventivas já haviam sido iniciadas por voluntários, com a abertura de aceiros e uso de maquinário para reduzir riscos de queimadas.
A Polícia Federal acompanha o caso desde o início, tratando o episódio como possível crime ambiental provocado por ação humana. A análise do material apreendido deve orientar os próximos passos da investigação.

