A iniciativa partiu do deputado estadual Zeca do PT, durante sessão realizada na última quarta-feira (8). O parlamentar também apontou a responsabilidade de uma empresa terceirizada, encarregada de serviços na área onde ocorreu o incidente.
Em discurso, o deputado cobrou a atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Ministério Público para apurar as circunstâncias do ocorrido.
O caso remonta a dezembro do ano passado, no município de Santa Rita do Pardo, onde cerca de 20 colmeias foram destruídas em uma área próxima a plantações de eucalipto. Um vídeo divulgado por uma organização ambiental internacional indica que o apicultor afetado teria sido procurado para uma possível compensação financeira.
No relato, o produtor afirma ter presenciado a atuação de equipes e equipamentos na região no momento da pulverização. Ele também relata ter recusado qualquer cálculo de prejuízo, alegando desconfiança quanto à continuidade das práticas.
Especialistas apontam que a aplicação de agrotóxicos durante o período de floração é considerada irregular no Brasil, podendo configurar crime ambiental, sobretudo quando há impacto direto sobre polinizadores.
Durante a denúncia, o deputado destacou o suposto uso de substâncias tóxicas, incluindo inseticidas à base de fipronil — produto reconhecido por sua alta toxicidade para abelhas, mesmo em baixas doses. O composto é proibido na União Europeia desde 2014 devido ao risco de mortandade em massa de polinizadores, embora ainda seja permitido no Brasil.
Pesquisas acadêmicas e relatos de campo indicam que situações semelhantes já foram registradas na região. Estudos conduzidos em municípios vizinhos apontam impactos recorrentes associados à pulverização de defensivos agrícolas, com prejuízos à apicultura e à biodiversidade do Cerrado.
Especialistas alertam que o uso indiscriminado desses produtos compromete o equilíbrio ambiental, afetando não apenas as abelhas, mas também a fauna e a flora. As abelhas desempenham papel fundamental na polinização e na produção de alimentos, sendo essenciais para a manutenção dos ecossistemas e da segurança alimentar.
Diante da gravidade do caso, o parlamentar defendeu a apuração rigorosa e a responsabilização dos envolvidos, caso sejam confirmadas irregularidades.
Posicionamento da empresa
Em nota, a empresa Suzano informou que mantém programas de apoio à apicultura no estado, atendendo mais de 150 produtores e contribuindo significativamente para a produção de mel local.
A companhia afirmou ainda que suas operações seguem normas legais e ambientais, com uso de defensivos autorizados pelos órgãos competentes e aplicação conforme recomendações técnicas. Segundo o posicionamento, há comunicação prévia com apicultores antes de intervenções nas áreas de atuação.
A empresa também destacou a existência de canais abertos para diálogo com comunidades e produtores, voltados ao esclarecimento de dúvidas, registro de denúncias e encaminhamento de demandas.
