A captura do narcotraficante Gerson Palermo, realizada nesta terça-feira (26) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, foi resultado de uma investigação iniciada há sete meses pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. O trabalho começou após o sequestro da própria filha do criminoso, em Campo Grande, em um caso marcado por tortura e extorsão.
Segundo as investigações, a jovem, de 25 anos, foi mantida em cárcere em uma residência no bairro Moreninhas depois de ser atraída pelo pai sob o pretexto de receber ajuda financeira destinada ao tratamento de saúde da avó. Ao sair do trabalho, ela entrou em um veículo ocupado por dois homens, que afirmaram cobrar uma dívida ligada ao traficante.
A vítima foi levada ao cativeiro, onde sofreu agressões físicas e psicológicas. Imagens enviadas pelos sequestradores mostravam a mulher amarrada, enquanto familiares recebiam ameaças de morte e pedidos de dinheiro para libertá-la.
O marido da vítima acionou a Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Durante as negociações, Palermo chegou a participar de ligações telefônicas, afirmando que a filha seria solta caso o dinheiro fosse devolvido.
A jovem acabou libertada durante operação policial na região das Moreninhas. Após o resgate, confirmou aos investigadores que o próprio pai havia planejado o crime e revelou que ele estava escondido na Bolívia.
A partir daí, a investigação avançou com atuação conjunta do Núcleo de Inteligência Policial da DEPCA, da Polícia Federal e da força boliviana de combate ao narcotráfico. O compartilhamento de informações permitiu localizar Palermo em Santa Cruz de la Sierra, onde ele acabou preso após meses de monitoramento.
Considerado integrante do PCC, Palermo é apontado pelas autoridades como peça importante no tráfico internacional de cocaína entre Bolívia e Brasil, além de atuar em esquemas de lavagem de dinheiro.
Condenado a quase 126 anos de prisão, ele estava foragido desde 2020, após deixar um presídio federal por decisão judicial que posteriormente levou à punição de um desembargador de Mato Grosso do Sul investigado por suposta venda de habeas corpus.
A trajetória criminosa de Palermo começou ainda na década de 1980, quando foi preso transportando maconha na região de Resende (RJ). Desde então, acumulou passagens por tráfico internacional de drogas, transporte de produtos químicos para refino de cocaína e participação em organizações criminosas.
O episódio mais conhecido ocorreu em agosto de 2000, quando liderou o sequestro de um Boeing 727 da Vasp. A aeronave, que fazia rota entre Foz do Iguaçu e Curitiba, foi desviada para o interior do Paraná, onde criminosos roubaram malotes bancários com cerca de R$ 5,5 milhões.
Mesmo após condenações e novas prisões ao longo dos anos, Palermo continuou sendo alvo de operações policiais relacionadas ao tráfico internacional de drogas, incluindo investigações envolvendo o uso de aviões e caminhões para transporte de cocaína vinda da Bolívia.

