O Ministério Público de Mato Grosso do Sul apura denúncias de assédio sexual e moral supostamente praticados pelo delegado Wellington de Oliveira, de 55 anos, contra alunas da Academia de Polícia Civil (Acadepol). O caso está sob análise do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), enquanto a Corregedoria da Polícia Civil já ouviu os estudantes envolvidos.
Segundo o promotor Douglas Oldegardo, a denúncia chegou de forma anônima, sem identificação do autor ou do professor citado. “Ainda estamos realizando levantamentos, já que a denúncia não traz nomes”, afirmou.
Apesar disso, relatos de alunas apontam episódios de constrangimento durante as aulas. Entre as declarações atribuídas ao delegado, estariam questionamentos sobre tempo de permanência em motel e comentários de cunho sexual, como dizer que determinados estudantes teriam perfil para atuar como “prostitutas infiltradas”.
De acordo com o promotor, a investigação teve início após encaminhamento da Ouvidoria relacionado à Acadepol. O procedimento busca esclarecer as circunstâncias dos fatos denunciados.
O delegado está de férias e deverá ser ouvido pela Corregedoria. Durante esse período, a Ouvidoria da Polícia Civil passou a ser comandada pelo delegado Clever Fante.
Relatos de alunas
As denúncias envolvem turmas de oito salas onde o delegado ministrou aulas. Em todas, segundo estudantes, houve queixas de assédio sexual e moral. Uma das alunas relatou indignação com perguntas de teor íntimo feitas em sala. Outras afirmam que também foram alvo de comentários sobre preferências sexuais.
Além disso, há acusações de assédio moral. Conforme relatos, o delegado teria afirmado que eventuais reclamações não teriam efeito, por ele integrar o Conselho da Polícia.
As denúncias foram formalizadas junto à direção da Acadepol, que encaminhou o caso à Corregedoria. Uma ata foi elaborada e assinada por líderes de sala, vítimas e testemunhas.
O curso da Polícia Civil teve início em 27 de janeiro deste ano, após concurso realizado no fim de 2025.
Questionamentos sobre encaminhamento
Alunos criticaram o fato de terem sido orientados a registrar as denúncias apenas no âmbito da academia, sem formalização na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). A decisão também foi alvo de críticas internas. Para um delegado ouvido sob reserva, é inadequado que casos dessa gravidade não sejam apurados pela unidade especializada.
Apuração em andamento
A Polícia Civil informou, em nota, que recebeu as denúncias e instaurou um Auto de Investigação Preliminar (AIP), conduzido pela Corregedoria-Geral. O procedimento inclui oitivas e coleta de informações junto à Acadepol, como detalhes sobre a disciplina ministrada e critérios de avaliação.
A instituição destacou que o professor já havia concluído as aulas quando as denúncias foram apresentadas e não atua mais em atividades acadêmicas no momento. Ressaltou ainda que a apuração seguirá os princípios do devido processo legal, garantindo contraditório e ampla defesa.
Defesa do delegado
Procurado anteriormente, Wellington de Oliveira negou as acusações. Ele afirmou que nunca praticou assédio e que os conteúdos apresentados em aula envolvem simulações e exemplos baseados em situações reais da atividade policial.
Segundo o delegado, eventuais falas teriam sido retiradas de contexto. “Pode ser que algum aluno tenha se sentido ofendido, mas não houve assédio sexual ou moral”, declarou, acrescentando que aguarda a conclusão das investigações.
Wellington também destacou que leciona a disciplina há cerca de 20 anos sem registros anteriores de problemas semelhantes.
