O câncer segue entre os maiores desafios da saúde pública em Mato Grosso do Sul. Dados do Painel de Oncologia do Datasus apontam que o Estado registrou mais de 15 mil casos da doença entre 2024 e 2026, com destaque para os tumores de pele, mama, próstata e intestino. Somente neste ano, já foram contabilizados 748 novos diagnósticos.
Entre os tipos mais frequentes estão o câncer de pele, com 2.193 ocorrências no período analisado, seguido pelos cânceres de mama, com 1.584 casos, próstata, com 1.176, além dos tumores de cólon, colo do útero, pulmão e estômago.
A doença atinge milhares de famílias sul-mato-grossenses, incluindo crianças e adolescentes. Um dos casos é o de Elias Antônio Alvarenga dos Santos Neto, que recebeu o diagnóstico de leucemia ainda aos 11 anos, após apresentar sintomas como cansaço, febre, dores pelo corpo e perda de disposição.
Após o diagnóstico, ele passou por internações, sessões de quimioterapia e uma rotina intensa de exames. Hoje, aos 24 anos e curado, destaca a importância do diagnóstico precoce e do apoio familiar durante o tratamento.
Os números mostram que as mulheres concentram a maior parte dos diagnósticos no Estado. O câncer de mama lidera entre o público feminino, enquanto o câncer de colo do útero também preocupa especialistas devido à relação direta com o HPV e à baixa adesão aos exames preventivos e à vacinação.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o câncer de colo do útero é o que mais mata mulheres de até 35 anos no país. Apesar disso, a vacinação contra o HPV ainda enfrenta barreiras de acesso fora do SUS, principalmente pelo alto custo da imunização na rede privada.
Entre os homens, o câncer de próstata permanece como o mais frequente. Especialistas alertam que a resistência masculina à realização de exames preventivos ainda dificulta o diagnóstico precoce da doença. Entre os principais sintomas estão dificuldade para urinar, aumento da frequência urinária, sangue na urina e dores ósseas.
As projeções do Instituto Nacional de Câncer indicam aumento dos casos em Mato Grosso do Sul ao longo de 2026. A estimativa aponta cerca de 1,4 mil novos casos de câncer de próstata e 930 diagnósticos de câncer de mama feminina no Estado.
Os dados também mostram maior incidência da doença entre pessoas acima dos 50 anos, especialmente nas faixas entre 60 e 69 anos. Ainda assim, o câncer pode atingir qualquer idade. Entre crianças e adolescentes de até 19 anos, foram registrados 324 casos no período analisado.
Especialistas destacam que hábitos de vida têm forte influência no avanço da doença. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e exposição excessiva ao sol estão entre os principais fatores de risco.
Além dos fatores ambientais, estudos recentes reforçam a influência genética no desenvolvimento do câncer. Pesquisa publicada na revista científica “The Lancet Regional Health – Americas” apontou que uma em cada dez pessoas analisadas carregava mutações hereditárias associadas à doença.
Em Mato Grosso do Sul, pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul desenvolvem uma tecnologia baseada em nanopartículas para levar medicamentos quimioterápicos diretamente às células cancerígenas. Em testes experimentais, a técnica apresentou redução significativa do crescimento tumoral e pode contribuir para tratamentos menos agressivos no futuro.
Outro avanço recente ocorreu com a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, de uma nova combinação terapêutica para pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio avançado.
Apesar dos desafios, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce segue como uma das principais ferramentas para aumentar as chances de cura. Pacientes que descobrem a doença em estágios iniciais podem alcançar índices superiores a 90% de recuperação, dependendo do tipo de tumor e do tratamento adotado.
