O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um Procedimento Preparatório para investigar a prática de ceva no Refúgio Ecológico Pousada Canaã, localizado na zona rural de Bodoquena, a cerca de 292 quilômetros de Campo Grande.
A medida foi adotada pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Miranda, após a divulgação de imagens e vídeos nas redes sociais mostrando turistas alimentando, tocando, segurando e até beijando araras-azuis no atrativo turístico.
A prática conhecida como “ceva” consiste em oferecer alimento para atrair animais silvestres a determinados locais, geralmente para observação, fotografias ou interação com visitantes.
Segundo relatório do Ministério do Meio Ambiente, os próprios funcionários do empreendimento ofereceriam alimentos às aves há anos, incluindo sementes de girassol, banana, melancia, amendoim e coquinhos. O documento aponta ainda que as araras demonstram comportamento considerado incomum para a espécie, apresentando extrema proximidade com humanos e ausência de medo.
“Os animais apresentavam comportamentos não naturais para a espécie, circulando e pousando próximos aos funcionários sem receio”, destaca o relatório.
Ainda conforme o Ministério do Meio Ambiente, a domesticação pode causar prejuízos à fauna silvestre, como perda da capacidade de sobrevivência na natureza, dificuldade de reintegração ao habitat natural, redução de habilidades instintivas e aumento do estresse.
Especialistas também alertam que a alimentação inadequada pode provocar problemas de saúde nos animais, incluindo sobrepeso e doenças associadas ao excesso de açúcar presente em frutas. Além disso, há risco de transmissão de zoonoses e ocorrência de acidentes envolvendo visitantes.
A prática de ceva é considerada irregular pela legislação ambiental federal e estadual, podendo resultar em multas e responsabilização criminal.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multa de R$ 50,5 mil ao empreendimento em razão das irregularidades apontadas.
Até o fechamento desta reportagem, o Refúgio Canaã não havia se manifestado sobre o caso.
