O principal investigado é o marido da vítima, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, que também acabou autuado por posse irregular de armas de fogo e fraude processual.
Em vídeo divulgado pela Polícia Civil, o delegado Leandro Santiago afirmou que as primeiras informações apresentadas pelo médico e por testemunhas apresentaram divergências ainda durante os depoimentos realizados no local da ocorrência.
Segundo o delegado, equipes da Deam realizaram diligências logo após o acionamento da polícia e identificaram inconsistências consideradas relevantes para o andamento da investigação.
Além das divergências nos relatos, a polícia afirma ter constatado indícios de fraude processual. Conforme a investigação, após a morte da fisioterapeuta, um armário contendo armas e munições teria sido retirado da residência principal e levado para outro imóvel dentro da propriedade rural.
De acordo com a Polícia Civil, a mudança teria ocorrido por determinação do cardiologista, com auxílio do caseiro e de um ex-funcionário da chácara. Os três foram autuados em flagrante.
Outro ponto considerado importante pela investigação envolve o resultado da perícia preliminar. Conforme o delegado Leandro Santiago, a lesão encontrada na cabeça da vítima não seria compatível com a versão apresentada inicialmente pelo suspeito.
Durante as buscas realizadas na propriedade, policiais apreenderam armas longas, munições e armamentos de uso permitido e restrito. Por isso, João Jazbik Neto também foi autuado por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e restrito.
A Deam informou ainda que será instaurado um inquérito complementar conduzido sob perspectiva de gênero para apurar se a morte da fisioterapeuta ocorreu por suicídio ou feminicídio.
A manifestação da polícia ocorre um dia após a defesa do cardiologista afirmar publicamente que a hipótese de feminicídio estaria descartada.
Na segunda-feira (18), o advogado José Belga Trad declarou que o médico colaborou espontaneamente com as investigações, inclusive realizando exame residuográfico, o que, segundo a defesa, afastaria suspeitas de participação direta na morte da esposa.
O defensor afirmou que o cardiologista responderia apenas pelos crimes relacionados às armas encontradas na propriedade e pela suposta fraude processual. Ele também informou que João Jazbik Neto possui registro ativo de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador).
A defesa nega que o médico tenha efetuado disparos contra a esposa e pede cautela durante a investigação.
O caso aconteceu na manhã de segunda-feira (18). Conforme o boletim de ocorrência, o cardiologista relatou que a esposa teria seguido normalmente a rotina da manhã antes de subir para o quarto do casal, localizado no piso superior da residência.
Segundo o médico, após notar a demora da fisioterapeuta, ele teria ido até o quarto, batido na porta e não obtido resposta. Em seguida, voltou à cozinha, tentou contato pelo celular da esposa e, pouco depois, retornou ao cômodo, onde encontrou Fabiola caída no chão.
Ainda de acordo com o registro policial, o médico acionou o ex-caseiro da propriedade, responsável por ligar para o telefone 190.
Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e da perícia estiveram na chácara durante toda a tarde de segunda-feira. O caso segue sob investigação da Deam.
