A definição de quem se elege no Brasil passa por uma matemática própria do sistema proporcional, utilizado nas disputas para deputado federal e estadual. Nesse modelo, os votos não beneficiam apenas o candidato, mas também o partido ou federação, o que torna o cálculo mais complexo.
Dois conceitos são fundamentais nesse processo: o quociente eleitoral (QE), obtido pela divisão dos votos válidos pelo número de vagas, e o quociente partidário (QP), que define quantas cadeiras cada partido terá direito. A apuração é feita de forma rápida com o uso das urnas eletrônicas.
Com o encerramento da janela partidária se aproximando, período que marca a migração de políticos entre siglas, o Correio do Estado consultou o diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, para estimar quantos votos são necessários para garantir uma vaga em Mato Grosso do Sul.
Ele explica que, nas eleições proporcionais, não basta uma votação expressiva individual. O desempenho coletivo do partido é decisivo. “O quociente eleitoral é o principal indicador para entender essa lógica”, afirma.
Em Mato Grosso do Sul, estão em disputa oito vagas para deputado federal e 24 para deputado estadual. Assim, o QE é calculado dividindo-se o total de votos válidos por essas quantidades.
Com base nos resultados de 2022, foram necessários 171.851 votos para que um partido conquistasse uma vaga de deputado federal e 55.926 votos para deputado estadual.
Na prática, isso significa que, para as próximas eleições, a estimativa é de cerca de 172 mil votos para garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados e aproximadamente 56 mil votos para a Assembleia Legislativa.
Apesar disso, nem todos os eleitos atingem essa marca individualmente. Como os votos são somados dentro das legendas, candidatos com votação menor podem conquistar vaga, desde que o partido alcance o quociente e o candidato tenha pelo menos 10% desse total.
Em 2022, esse piso foi de aproximadamente 17 mil votos para deputados federais e 5,5 mil para estaduais.
Outro ponto importante é a distribuição das sobras, que pode alterar o resultado final ao redistribuir cadeiras não preenchidas na primeira divisão.
Segundo o especialista, os números exatos só serão definidos após a apuração, já que dependem do total de votos válidos. Ainda assim, os dados da última eleição servem como parâmetro para medir o nível de competitividade.
Saiba mais
Os chamados “puxadores de votos” elevam a votação do partido e ajudam a eleger outros candidatos da mesma legenda. Já o voto de legenda, dado diretamente ao número do partido, também conta para o cálculo do quociente.
Dessa forma, o sistema proporcional busca distribuir as vagas de acordo com a força dos partidos, embora, em alguns casos, produza resultados que parecem contrariar a lógica individual dos votos.
Com infos Correio do Estado

