O relatório final da CPMI do INSS, apresentado nesta sexta-feira (27) no Congresso Nacional, aponta que o ex-gerente do banco BMG, Anderson Ladeira Viana, utilizou recursos desviados de aposentados para custear um passeio de luxo no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Segundo o documento, apenas a viagem realizada em Corumbá teria custado mais de R$ 112 mil.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), solicitou o indiciamento de Ladeira e de outras 214 pessoas. Entre os pontos destacados, está o uso irregular de valores que teriam sido destinados a uma viagem familiar com mais de dez pessoas, registrada inclusive em redes sociais.
De acordo com o relatório, foram identificados repasses de R$ 112.500 à empresa Marques e Esquivel Ltda., conhecida como Joice Pesca & Tur, agência de turismo sediada em Mato Grosso do Sul. Para o relator, a utilização dos recursos foge completamente da finalidade de proteção aos aposentados e levanta suspeitas sobre possível uso do setor turístico para despesas pessoais incompatíveis.
O documento também menciona que a família do ex-gerente realizou o passeio a bordo do barco-hotel Almirante, embarcação com estrutura de alto padrão, incluindo camarotes climatizados, áreas de lazer, cozinha equipada e serviços voltados ao turismo na região pantaneira.
“Constata-se de forma inequívoca que recursos descontados de aposentados foram empregados no custeio de viagem particular”, afirma o relatório.
Além de Anderson Ladeira, o parecer pede o indiciamento de outras figuras públicas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), entre outros citados.
A leitura do relatório ocorre na véspera do encerramento dos trabalhos da comissão, previsto para este sábado (28), após decisão do Supremo Tribunal Federal que impediu a prorrogação das investigações.
