O desmentido do senador Flávio Bolsonaro sobre uma suposta negociata envolvendo o deputado federal Marcos Pollon acabou ampliando o desgaste político da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, junto ao eleitorado conservador.
Assim como Pollon, o nome de Gianni apareceu em anotações atribuídas a Flávio, nas quais constariam valores supostamente ligados à desistência de candidaturas. De acordo com o conteúdo divulgado, Pollon teria pedido R$ 15 milhões para abrir mão de uma eventual disputa, enquanto Gianni teria sido associada à cifra de R$ 5 milhões — versão que ela nega de forma categórica.
Desmentido seletivo
No caso de Pollon, o próprio Flávio Bolsonaro veio a público para negar qualquer pedido de dinheiro. Já em relação à vice-prefeita, não houve manifestação direta do senador, o que alimentou questionamentos e especulações nos bastidores políticos.
As anotações vieram à tona após serem registradas por fotógrafo durante agenda pública, e desde então passaram a ocupar espaço central no debate político estadual.
Apoio reforçado a Pollon
No sábado (28), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reforçou apoio a Marcos Pollon, que já havia sido indicado ao Senado por meio de mensagem assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mais uma vez, não houve qualquer menção a Gianni Nogueira, o que ampliou a percepção de isolamento político da vice-prefeita dentro do grupo bolsonarista no Estado.
Explicação contestada
Após visitar o pai na Papudinha, Flávio Bolsonaro explicou que a anotação envolvendo Pollon não indicava um pedido real de recursos. Segundo ele, a informação teria sido relatada por terceiros e registrada apenas como lembrete para alertar o deputado sobre a circulação da acusação.
“Estava escrito ‘Pollon pediu R$ 15 milhões’ para não ser candidato. Aquilo nunca aconteceu”, afirmou o senador, sustentando que anotou a frase para alertar o parlamentar sobre o que classificou como “mentira criminosa”.
A justificativa, porém, foi recebida com ceticismo por parte de apoiadores nas redes sociais, onde internautas ironizaram a explicação.
Em entrevista à Revista Oeste, Pollon declarou que aguarda orientações de Jair Bolsonaro para definir se disputará o governo estadual ou o Senado.
Gianni se defende
Enquanto Pollon contou com desmentido público do senador e reforço de apoio de Michelle Bolsonaro, Gianni Nogueira tem feito sua defesa por conta própria.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a vice-prefeita negou qualquer conversa ou pedido de valores relacionados à sua pré-candidatura.
“Não pedi nada a ninguém. Não conversei com presidente estadual, nem com presidente nacional e muito menos com o senador Flávio Bolsonaro sobre qualquer valor relacionado à minha pré-campanha ou à campanha. Essa informação é absolutamente falsa”, afirmou.
Gianni também declarou que a narrativa teria como objetivo enfraquecer sua imagem e o campo conservador em Mato Grosso do Sul.
“Mentiras como essa aparecem ‘não se sabe de onde’, mas têm um propósito claro: tentar desestabilizar quem tem posicionamento firme e princípios”, disse.
Ela reiterou que mantém a pré-candidatura ao Senado e que seus valores são “inegociáveis”.
“Continuo com minha pré-candidatura ao Senado, trabalhando pelo Mato Grosso do Sul e confiando que a verdade sempre prevalece.”
O episódio agora deixa nas mãos do eleitorado a avaliação sobre as versões apresentadas e seus reflexos no cenário político estadual.

