Uma substância viciante conhecida como Snus, feita a partir de nicotina sintética e sem autorização para importação, distribuição ou venda no Brasil, passou a ser monitorada pelas autoridades sanitárias após apreensões registradas em Mato Grosso do Sul. O produto, ainda pouco conhecido no país, chamou a atenção por sua presença crescente no mercado ilegal.
Em janeiro do ano passado, a Vigilância Sanitária estadual recolheu 2.260 sachês de Snus, entre outros itens irregulares e adulterados. Há indícios de que a carga tenha origem na Suécia. Esse episódio marcou uma das primeiras notificações do produto no Brasil, o que levou à comunicação com órgãos federais.
O material apreendido foi encaminhado à Polícia Federal para análise toxicológica, com o objetivo de identificar sua composição. Por se tratar de um item ainda incomum nas apreensões, o caso despertou atenção das autoridades.
Segundo Matheus Pirolo, da Secretaria de Estado de Saúde, as informações obtidas na operação em Mato Grosso do Sul contribuíram para as investigações em Goiás. Meses depois, uma ação em Goiânia resultou na apreensão de mais de 8 mil unidades de produtos fumígenos sem registro, além do cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão. O valor estimado das mercadorias ultrapassou R$ 1,3 milhão.
Diante do avanço dessas ocorrências, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia quais medidas adotar em relação ao Snus, discutindo se mantém a proibição vigente ou se estabelece uma possível regulamentação.
O que é o Snus
O Snus é um tipo de tabaco sem fumaça, geralmente comercializado em pó ou em pequenas porções embaladas. Seu uso consiste em posicionar o produto sob o lábio superior, onde a nicotina é absorvida pela mucosa bucal ao longo de 30 minutos a uma hora.
Produzido com tabaco moído, água, sal e aromatizantes, o Snus passa por um processo de pasteurização que o diferencia de outros derivados sem fumaça. Sabores como menta e alcaçuz são comuns.
Origem e consumo
Criado na Suécia no século XVII, o Snus se popularizou em países nórdicos. Atualmente, é utilizado tanto na forma de pequenos sachês quanto solto, moldado manualmente pelo usuário.
Ao contrário do cigarro tradicional, o produto não é fumado, mas ainda assim fornece nicotina ao organismo — de forma mais lenta e contínua.
Riscos à saúde
Apesar de ser visto por alguns como alternativa ao cigarro, o Snus também apresenta riscos. O alto teor de nicotina pode causar dependência e está associado a problemas como câncer de boca, garganta e esôfago, além de doenças gengivais e lesões na cavidade oral.
No lote apreendido em Mato Grosso do Sul, cada unidade continha cerca de 6,5 mg de nicotina — quantidade significativamente superior à absorvida em um cigarro comum.
Especialistas alertam que, embora não produza fumaça, o produto não é seguro e pode agravar a dependência química. Há ainda preocupação com o uso entre jovens, já que pode funcionar como porta de entrada para o consumo de outros produtos de tabaco.
Autoridades reforçam que, enquanto não houver regulamentação, o Snus permanece proibido no país, e sua comercialização é considerada ilegal.
