A decisão será discutida em reunião marcada para esta terça-feira (9) entre a prefeita e os integrantes do grupo responsável pelo procedimento administrativo que avaliou a situação do transporte público. Segundo Adriane, o posicionamento oficial será divulgado após a conclusão das análises e em alinhamento com o Poder Judiciário.
O relatório final elaborado pela comissão recomenda que o município intervenha na concessão e nomeie um interventor para acompanhar a operação do sistema. Entre os principais motivos apontados estão mais de 15 mil registros de descumprimento de horários e supressão de viagens, além do aumento nos índices de reprovação da frota em inspeções de segurança veicular.
De acordo com o documento, o percentual de veículos reprovados nas vistorias passou de 5,4% em 2020 para 18,6% em 2025, indicando deterioração das condições operacionais do serviço. A comissão destaca ainda que a eventual intervenção teria caráter temporário, investigativo e fiscalizador.
O grupo de trabalho foi instituído pela Prefeitura em março deste ano e teve prazo prorrogado por mais 30 dias para conclusão das análises técnicas, diante do volume de documentos examinados pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e pela Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg). Durante o processo, o município informou à Justiça dificuldades para acessar informações e sistemas internos do consórcio.
A possibilidade de intervenção no transporte coletivo ganhou força após decisões judiciais e investigações que apontaram falhas na prestação do serviço. Entre os problemas levantados estão o envelhecimento da frota, deficiências na manutenção dos veículos e questionamentos sobre a gestão financeira das empresas que compõem o consórcio.
O tema também foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) realizada pela Câmara Municipal, que identificou irregularidades no cumprimento do contrato de concessão. Posteriormente, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou inquérito civil para aprofundar a apuração das falhas apontadas pelos vereadores.

