Após o entusiasmo inicial, custo das viagens e restrições de circulação são apontados como obstáculos para o uso frequente do serviço na Capital.
A febre dos patinetes elétricos parece ter perdido parte da força em Campo Grande. Depois de atrair filas e despertar a curiosidade da população, o serviço enfrenta críticas relacionadas principalmente ao preço das viagens. Usuários afirmam que os equipamentos já não são tão disputados como nos primeiros meses de funcionamento.
Disponíveis desde 7 de junho, os patinetes chegaram à Capital como alternativa para deslocamentos rápidos. Atualmente, duas empresas operam mais de 1,3 mil equipamentos, concentrados principalmente na região central. Apesar da grande oferta, parte dos usuários percebe uma redução na procura.
A vendedora Andressa Barbosa, que experimentou o serviço algumas vezes, acredita que o entusiasmo diminuiu com o passar dos meses. Segundo ela, a novidade deixou de ser uma atração e o custo passou a pesar na decisão de utilizar os equipamentos.
“Era uma coisa nova que teve aqui na cidade e, agora, não; todo mundo já se acostumou”, comentou.
Andressa considera que, dependendo do percurso, o valor cobrado pode superar o de viagens realizadas por aplicativos de transporte. Outro problema, segundo ela, é a restrição das áreas onde os patinetes podem circular, o que reduz a praticidade do serviço.
A avaliação é compartilhada pelo gerente comercial Gabriel dos Santos. Ele reconhece que os equipamentos são úteis para pequenos deslocamentos no Centro, mas também percebe que a empolgação dos primeiros dias diminuiu.
Além do preço, Gabriel chama a atenção para o uso inadequado dos patinetes. Entre as irregularidades observadas estão viagens com duas ou três pessoas no mesmo equipamento e o abandono dos veículos em locais impróprios.
“A gente que tem que fazer algo rápido aqui pela região central, é muito eficiente o patinete, porém tem gente que não utiliza certo o patinete, deixa de qualquer jeito”, relatou.
Serviço ainda mantém adeptos
Apesar das críticas, há quem continue utilizando os patinetes tanto pela praticidade quanto pelo lazer. É o caso de Daniele Cardoso, funcionária de uma empresa de ultrassonografia, que não percebe uma queda significativa na movimentação.
Ela conta que recorre aos equipamentos quando precisa ganhar tempo no deslocamento. Em 20 de outubro, por exemplo, optou pelo patinete para evitar a espera pelo ônibus e não se atrasar ainda mais para o trabalho.
Daniele também costuma utilizar o serviço durante passeios com amigos nos fins de semana e considera que os patinetes continuam fazendo parte da rotina de muitos moradores.
Embora os relatos indiquem uma possível redução no interesse, ainda não existem dados apresentados pelas operadoras que confirmem a queda no número de viagens.
Até o fechamento da reportagem, as duas empresas responsáveis pelo serviço não haviam informado se houve diminuição na utilização dos equipamentos desde o início das operações na Capital.
