Uma investigação da Polícia Federal revelou que uma família de Uberlândia (MG) é suspeita de operar uma complexa estrutura logística voltada ao tráfico internacional de cocaína e à lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, o grupo utilizava caminhões, carretas, empresas de transporte, motoristas recrutados, contas bancárias de terceiros e empresas de fachada para movimentar drogas e recursos financeiros ilícitos pelo país.
De acordo com a apuração, a organização seria liderada por Mario Sergio Nunes, conhecido como “Serjão do PCC”. A Polícia Federal afirma que a estrutura funcionava de forma semelhante a uma empresa, permitindo o transporte de grandes carregamentos de cocaína entre diferentes estados brasileiros e a ocultação de patrimônio obtido com atividades criminosas.
As investigações indicam que diversos veículos usados no transporte de drogas estavam registrados em nome de pessoas sem capacidade financeira compatível para adquirir os bens. Para a PF, isso reforça a suspeita do uso de “laranjas” para esconder o patrimônio da organização. Além disso, empresas de transporte teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade às operações, embora apresentassem indícios de funcionamento irregular, sem funcionários e com movimentações financeiras incompatíveis com suas atividades declaradas.
Ao longo da investigação, foram apreendidos carregamentos de cocaína que somam mais de duas toneladas. Em várias ocorrências, a droga estava escondida em compartimentos falsos instalados em caminhões ou em pneus sobressalentes, método que, segundo a PF, era repetidamente empregado pelo grupo.
A Polícia Federal também identificou movimentações financeiras suspeitas envolvendo familiares e pessoas próximas ao suposto líder da organização. Contas bancárias de terceiros teriam sido usadas para movimentar recursos provenientes do tráfico, enquanto empresas registradas em nome de parentes e aliados serviriam para ocultar patrimônio. Entre as operações investigadas está uma transferência de R$ 120 mil para uma empresa considerada possível fachada.
Segundo os investigadores, as cargas saíam principalmente de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, passando por Uberlândia, apontada como centro operacional da organização. A cidade funcionaria como ponto de recebimento, armazenamento e redistribuição da droga para municípios do Triângulo Mineiro e outros estados brasileiros.
A PF estima que os investigados movimentaram cerca de R$ 70 milhões sem origem compatível nos últimos cinco anos. Durante a operação, foram apreendidos veículos de luxo, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais, um motorhome avaliado em aproximadamente R$ 1,2 milhão e um cavalo de competição. Para os investigadores, o padrão de vida mantido pelos suspeitos era incompatível com a renda oficialmente declarada.
As defesas dos investigados afirmaram que ainda não tiveram acesso integral aos autos do processo, que tramita sob sigilo, e destacaram confiança nas instituições, no devido processo legal e no princípio da presunção de inocência.

