A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande mantém contrato de prestação de serviços médicos com a empresa Jafar Estética e Saúde Ltda., representada pela cirurgiã-dentista Olívia Paroschi Jafar, presa preventivamente na Operação Gutenberg, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos em Mato Grosso do Sul.
O contrato foi firmado em 16 de junho de 2025, com vigência de 12 meses, para a realização de atendimentos médicos a pacientes particulares e de convênios no PRONTOMED, setor de urgência e emergência da Santa Casa.
Pelas cláusulas do acordo, a empresa recebe R$ 125 por hora trabalhada, mediante apresentação de nota fiscal e relatório mensal contendo a quantidade de atendimentos realizados, identificação dos pacientes, procedimentos executados e demais informações necessárias para a validação dos serviços.
O documento também estabelece Olívia Paroschi Jafar como responsável técnica da empresa perante a instituição hospitalar, cabendo a ela cumprir as normas do Conselho Federal de Medicina relacionadas à supervisão dos serviços prestados.
O contrato determina ainda que os profissionais somente podem atuar após autorização da Santa Casa e que eventual substituição de médicos depende de autorização formal do hospital. A empresa também assume integralmente os encargos trabalhistas, previdenciários, tributários e a responsabilidade pelos atos praticados pelos profissionais vinculados ao contrato.
A existência do acordo ganhou repercussão após a deflagração da Operação Gutenberg, que investiga um suposto esquema de corrupção na contratação de livros paradidáticos por órgãos públicos em Mato Grosso do Sul. Apesar disso, o contrato não faz qualquer menção às investigações conduzidas pelo Ministério Público nem relaciona a prestação dos serviços médicos aos fatos apurados na operação.
Santa Casa se manifesta
Em nota, a Santa Casa informou que o contrato com a Jafar Estética e Saúde Ltda. permanece ativo e foi firmado para a realização de plantões eventuais na linha privada da instituição.
Segundo o hospital, a empresa não realiza plantões há aproximadamente três meses e os pagamentos são efetuados apenas quando os serviços são efetivamente prestados. A instituição também afirmou que não foi procurada pelo Gaeco para prestar esclarecimentos sobre o contrato.
