Oito campanhas receberam R$ 17,58 milhões das legendas; despesas declaradas somaram R$ 14,83 milhões
Os oito deputados federais eleitos por Mato Grosso do Sul receberam aproximadamente R$ 17,58 milhões dos partidos políticos, o equivalente a 93% dos R$ 18,9 milhões arrecadados pelas campanhas. Segundo levantamento com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as doações de pessoas físicas somaram R$ 567 mil, apenas 3% das receitas.
Os repasses das legendas podem reunir dinheiro público, proveniente dos fundos Eleitoral e Partidário, e recursos privados. Por isso, é necessário identificar a origem de cada transferência para determinar quanto veio efetivamente dos cofres públicos.
Para o cientista político Tércio Albuquerque, a concentração dos recursos nos partidos aumenta a dependência dos candidatos em relação às cúpulas partidárias. A distribuição, segundo ele, considera a força política e as chances de vitória, favorecendo candidatos à reeleição.
O professor Daniel Miranda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), avalia que essa influência se estende aos mandatos. O poder dos diretórios sobre o financiamento ajuda a explicar, parcialmente, a adesão das bancadas às orientações dos líderes no Congresso.
A disponibilidade de dinheiro público também reduz o estímulo à busca por doações individuais. “Muitos candidatos preferem lutar pelo dinheiro de ‘dentro’ (controlado pelos partidos) do que pelo dinheiro de ‘fora’ (doações)”, afirmou Miranda.
Gasto por voto varia de R$ 8,53 a R$ 49,24
As despesas declaradas pelos oito eleitos somaram aproximadamente R$ 14,83 milhões. Juntos, eles receberam 852.855 votos, o que representa um gasto médio de R$ 17,39 por voto.
Dagoberto Nogueira (PP) apresentou o maior indicador: R$ 49,24 por voto, com cerca de R$ 2,77 milhões em despesas e 56.217 votos. Na sequência aparece Beto Pereira (Republicanos), com R$ 30,41 por voto.
No outro extremo, Marcos Pollon (PL) registrou o menor valor, de R$ 8,53, seguido por Mara Caseiro (PL), com R$ 9,44. Os demais indicadores foram: Camila Jara (PT), R$ 13,49; Isa Marcondes (Republicanos), R$ 13,58; Rodolfo Nogueira (PL), R$ 17,06; e Rose Modesto (União Brasil), R$ 20.
Os especialistas explicam que o indicador depende da relação entre despesas e votação: quanto mais votos, maior a diluição dos gastos. O conhecimento prévio do candidato pelo eleitorado também pode reduzir a necessidade de investimento.
Os dados são parciais e podem mudar. O prazo para apresentação das contas finais das candidaturas que disputaram apenas o primeiro turno termina em 3 de novembro.

