A esposa do desembargador Divoncir Schreiner Maran, Viviane Alves Gomes de Paula, passou a ser alvo de apuração do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da Polícia Federal por suspeitas relacionadas a pagamentos em dinheiro vivo durante a construção de uma mansão em condomínio de alto padrão, em Campo Grande.
De acordo com as investigações, o casal adquiriu um terreno em 2020 e iniciou a construção do imóvel no ano seguinte. A obra teria custado mais de R$ 2,1 milhões. Conversas interceptadas pela Polícia Federal indicam que fornecedores e prestadores de serviço recebiam pagamentos em espécie, feitos diretamente por Viviane.
Mensagens analisadas pelos investigadores mostram negociações para entrega de valores em encontros presenciais, além de pedidos para evitar o uso de cartão bancário. Em uma das conversas, ela afirma preferir quitar parcelas mensalmente em dinheiro e relata que o montante foi retirado de forma fracionada.
A apuração também aponta que o casal contratou móveis planejados avaliados em cerca de R$ 650 mil. Em diálogos anexados ao inquérito, Viviane solicita reuniões presenciais para acertar pagamentos diretamente com fornecedores.
Segundo a PF, há indícios de que parte dos valores tenha sido entregue dentro de veículos, sem registro formal das transações. Em outra negociação, envolvendo a compra de ferragens estimadas em R$ 40 mil, a esposa do magistrado perguntou ao vendedor qual desconto seria possível para pagamento em dinheiro. O comerciante demonstrou surpresa e informou que a empresa aceitava apenas cartão, PIX ou boleto.
Os investigadores afirmam que ainda não foi identificada a origem dos recursos utilizados nos pagamentos.
O caso ocorre no contexto da investigação envolvendo o desembargador Divoncir Maran, punido neste ano pelo CNJ com aposentadoria compulsória. A decisão foi tomada após análise da atuação do magistrado em um processo que concedeu prisão domiciliar ao traficante Gerson Palermo, apontado como integrante do PCC e condenado a 126 anos de prisão.
Palermo deixou o presídio de segurança máxima de Mato Grosso do Sul em 2020, durante a pandemia da Covid-19, após decisão liminar do desembargador. Pouco tempo depois, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Atualmente, ele segue foragido.
O CNJ entendeu que não havia comprovação médica suficiente para justificar a prisão domiciliar concedida ao detento.
Em nota, a defesa de Divoncir Maran e de Viviane Alves Gomes de Paula negou irregularidades e afirmou que aguarda acesso completo à investigação para apresentar esclarecimentos. Segundo os advogados, qualquer conclusão antecipada seria precipitada antes do exercício pleno do direito de defesa.
