A estreia do horário eleitoral gratuito em Mato Grosso do Sul revelou diferenças importantes dentro da ampla aliança partidária que sustenta a candidatura à reeleição do governador Eduardo Riedel (PP). Candidatos de partidos ligados ao campo conservador deixaram Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, fora de suas primeiras inserções na televisão. Em vários casos, Capitão Contar (PL), candidato ao Senado, também não apareceu.
As primeiras propagandas eleitorais gratuitas foram exibidas na sexta-feira (28), seguindo o calendário definido pela Justiça Eleitoral. Na abertura da campanha na TV e no rádio, tiveram espaço os candidatos ao Senado, deputado estadual e governador.
Apesar da composição de uma coligação formada por dez partidos em Mato Grosso do Sul, diversos candidatos a deputado estadual optaram por não vincular suas propagandas à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Integram a aliança que apoia Riedel o PP, União Brasil, PL, PSDB, Cidadania, Podemos, Avante, Republicanos, PSD e MDB. O grupo também reúne o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato a uma das duas vagas ao Senado.
Entre os candidatos que deixaram Flávio Bolsonaro fora das primeiras inserções estão Jerson Domingos (União Brasil), Jamilson Name (PP), Gerson Claro (PP), Pedrossian Neto (Republicanos), Antônio Vaz (Republicanos), Zé Teixeira (PL), Professor Rinaldo Modesto (União Brasil), Santullo da Tereza (PP), Caravina (PSDB), Bárbara Resende (União Brasil), Cria do Aero Rancho (Republicanos) e Dione Hashioka (União Brasil).
Em parte dessas propagandas, a ausência atingiu também Capitão Contar. Bárbara Resende, Gerson Claro, Pedrossian Neto, Antônio Vaz, Zé Teixeira, Santullo da Tereza e Caravina não apresentaram o candidato ao Senado em suas peças, mantendo Reinaldo Azambuja como principal nome da disputa senatorial associado às respectivas campanhas.
Puccinelli também não cita Contar
Situação semelhante ocorreu na propaganda do ex-governador André Puccinelli (MDB), candidato a deputado estadual. Ele deixou Capitão Contar fora de sua inserção eleitoral, apesar de ter apoiado o político no segundo turno da eleição para o governo de Mato Grosso do Sul em 2022.
Naquele ano, Puccinelli disputou o Palácio do Parque dos Poderes pelo MDB, mas ficou fora do segundo turno. Na sequência, declarou apoio a Contar, que concorria ao governo pelo então PRTB.
Quatro anos depois, o cenário político é diferente. Antes da definição das chapas para 2026, o senador Nelsinho Trad (PSD) era o nome preferido de Puccinelli para uma das duas vagas ao Senado.
A aproximação chegou ao ponto de o MDB discutir a possibilidade de indicar o ex-ministro Carlos Marun para a primeira suplência de Nelsinho.
A articulação perdeu força quando Nelsinho desistiu de disputar a reeleição ao Senado e aceitou ser primeiro suplente de Reinaldo Azambuja. A mudança fez parte do acordo político destinado a preservar a unidade do grupo que apoia a reeleição de Riedel.
Com a saída de Nelsinho da disputa, Contar permaneceu como o segundo candidato ao Senado ligado ao grupo. Ainda assim, Puccinelli não direcionou para ele o apoio que pretendia oferecer ao senador do PSD.
Vander avança sobre segundo voto
A ausência de Capitão Contar nas propagandas de integrantes da própria base governista ocorre em meio à movimentação do deputado federal Vander Loubet (PT), que também disputa uma das duas vagas ao Senado.
O petista tem intensificado conversas com prefeitos e lideranças municipais que anteriormente estavam próximos da candidatura de Nelsinho Trad. O principal alvo é justamente o segundo voto ao Senado.
Com duas vagas em disputa em Mato Grosso do Sul, integrantes de uma mesma aliança política podem fazer combinações diferentes. Assim, prefeitos e lideranças que apoiam Reinaldo Azambuja no primeiro voto têm liberdade política para escolher outro candidato na segunda opção.
Após a desistência de Nelsinho, Vander avaliou que a mudança poderia provocar uma reorganização significativa na corrida pelo Senado e abrir espaço para conquistar parte do eleitorado ligado ao senador do PSD.
Segundo Vander, Nelsinho construiu durante o mandato uma relação municipalista e dialogou com o governo federal em projetos considerados importantes para Mato Grosso do Sul, característica que poderia facilitar a aproximação do petista com prefeitos ligados ao senador.
“Eu acredito que isso vai me ajudar bastante para dialogar com esse eleitorado”, afirmou Vander ao comentar a reconfiguração da disputa.
Um exemplo dessa movimentação ocorreu em Ivinhema. O prefeito Juliano Ferro (PL), apesar de pertencer ao mesmo partido de Azambuja e Contar, anunciou que pretende votar em Reinaldo Azambuja e Vander Loubet para o Senado.
“Meu segundo apoio vai para Vander Loubet. Todo mundo sabe da minha proximidade com o Vander. Já fiz três campanhas para ele e, ao longo desses anos como prefeito, foi um grande companheiro que nós tivemos aqui na Câmara dos Deputados”, declarou Ferro.
Segundo o prefeito, o apoio ao petista é resultado da atuação do deputado federal em favor de Ivinhema. Para o primeiro voto, Ferro mantém Azambuja, destacando o perfil municipalista do ex-governador durante os oito anos em que administrou Mato Grosso do Sul.
A mesma combinação, com Azambuja e Vander para o Senado, também foi anunciada pelo prefeito de Glória de Dourados, Julio Buguelo (PSD).
As primeiras inserções do horário eleitoral, portanto, mostram que a ampla coligação formada em torno de Riedel não significa necessariamente alinhamento integral entre todos os seus integrantes nas disputas para presidente e Senado. A definição do segundo voto ao Senado, principalmente, tende a ser um dos principais campos de disputa dentro da própria base governista ao longo da campanha.
