A Polícia Federal desarticulou uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico interestadual de cocaína entre Mato Grosso do Sul e Minas Gerais e de movimentar cerca de R$ 70 milhões em recursos de origem ilícita nos últimos cinco anos. A investigação aponta que o esquema era comandado por um núcleo familiar formado por um pai e suas duas filhas, uma advogada e uma psicóloga.
A ação faz parte da Operação Mens Occulta que cumpriu mandados em municípios de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Segundo a Polícia Federal, o principal núcleo da organização era composto por Mario Sergio Nunes e suas filhas, Brenda da Silva Nunes e Bruna Nunes. Mario e Brenda foram presos em um hotel na cidade de Uberlândia (MG).
As investigações tiveram início em 2024 e identificaram uma rota utilizada para o transporte de cocaína da região de Corumbá até o Triângulo Mineiro. De acordo com o delegado Felipe Martins Perez Garcia, da Polícia Federal em Minas Gerais, o grupo utilizava a chamada “Rota do Minério” para abastecer o mercado de drogas no interior mineiro.
Ao longo das apurações, a PF realizou 11 flagrantes relacionados à organização criminosa e apreendeu aproximadamente 2,9 toneladas de cocaína. A partir da análise de aparelhos celulares e outras provas, os investigadores conseguiram identificar os responsáveis pela coordenação logística e financeira do esquema.
Conforme a Polícia Federal, a lavagem de dinheiro era realizada por meio de empresas de fachada registradas em nome de terceiros, conhecidos como “laranjas”. Essas pessoas forneciam CPFs e CNPJs para a abertura de empresas que, segundo a investigação, não possuíam atividade econômica real, mas movimentavam milhões de reais.
Os recursos obtidos com o tráfico teriam sido empregados na aquisição de bens de alto valor, incluindo imóveis de luxo, cavalos de raça avaliados em cerca de R$ 50 mil cada, motos aquáticas e um motorhome estimado em R$ 1,2 milhão, equipado com cozinha, sala de TV, dois quartos e dois banheiros.
Durante a operação, também foi cumprido um mandado de prisão preventiva contra um motorista de 43 anos, preso em sua residência em Campo Grande. A ordem judicial foi expedida pela Justiça de Minas Gerais e o investigado foi encaminhado para audiência de custódia.
O nome da operação, Mens Occulta, significa “mente oculta” em latim e faz referência à forma de atuação atribuída ao líder do grupo, que, segundo os investigadores, evitava exposição direta e utilizava terceiros para ocultar sua participação nas atividades criminosas.
