Parte da estrutura de uma nova unidade do Supermercado Mister Júnior, em construção na Avenida Rachel de Queiroz, no Aero Rancho, voltou a desabar na madrugada deste domingo (13), em Campo Grande. A obra é a mesma onde dois trabalhadores morreram após a queda de peças pré-moldadas no dia 4 de setembro.
O novo incidente ocorreu enquanto a construção permanece paralisada em razão do primeiro acidente. Desta vez, não houve registro de feridos.
Com as chuvas que atingiram Campo Grande nos últimos dias, novos blocos da estrutura que ainda permaneciam em pé cederam. Uma das vigas tombou sobre outra parte da construção e ficou apoiada sobre a fiação elétrica.
A situação provocou preocupação devido ao risco de novas quedas e à proximidade de residências. Durante a tarde de domingo, uma equipe trabalhava no local com auxílio de um guindaste para sustentar e retirar a peça que apresentava risco de desabamento.
No acidente registrado em 4 de setembro, morreram Joel Oliveira da Silva, de 41 anos, e Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos. Os dois prestavam serviços para a HB Pré Fabricados, empresa sediada em Sidrolândia.
Investigação
O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) apura as condições de trabalho existentes na obra. Durante as investigações, foi constatado que os dois trabalhadores mortos não tinham registro em carteira e não haviam passado pelo processo de integração destinado a apresentar os riscos do ambiente de trabalho.
O procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes afirmou que as causas do primeiro desabamento ainda dependem de perícias. Segundo ele, as irregularidades trabalhistas já identificadas fazem parte da apuração, embora não seja possível afirmar, neste momento, que tenham provocado diretamente o acidente.
O procurador também ressaltou que o registro formal dos trabalhadores não impediria necessariamente o desabamento, mas garantiria aos familiares das vítimas a cobertura e os direitos previstos pelo sistema previdenciário.
O caso é investigado pela Polícia Civil, pelo Ministério Público do Trabalho e pela fiscalização do trabalho. As informações reunidas pelas três frentes deverão ser analisadas em conjunto para a definição das circunstâncias e de eventuais responsabilidades pelo acidente.
Na esfera trabalhista, o MPT poderá buscar indenizações para os familiares das vítimas. Também poderá haver medidas em favor de outros funcionários caso seja constatado que trabalhadores sobreviventes foram submetidos de forma irregular a situações de risco.
Ainda não há prazo para a conclusão do procedimento. O MPT aguarda relatórios da fiscalização e informações do inquérito policial para avaliar se será necessária a produção de novas provas ou a realização de outros depoimentos.
