A operação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (1º) contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB) voltou a lançar luz sobre uma investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que cita o deputado federal Marcos Pollon entre os parlamentares que destinaram recursos a entidades ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama.
A ação policial teve como alvo a ONG presidida por Karina, investigada por supostas irregularidades em um contrato de internet pública firmado com a Prefeitura de São Paulo. As apurações apontam suspeitas de fraude e possível desvio de recursos públicos em um acordo que, após aditivos, alcançou R$ 157,1 milhões.
Embora a operação trate especificamente do contrato de conectividade, o nome da empresária também aparece em uma investigação conduzida no STF sobre a destinação de emendas parlamentares para entidades sob sua administração.
Nesse contexto, Pollon foi citado por ter indicado R$ 1 milhão para o projeto audiovisual “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, que seria executado por uma instituição vinculada à empresária.
Segundo informações prestadas pelo parlamentar, o projeto não avançou por não atender aos requisitos técnicos exigidos pelos órgãos responsáveis. Com isso, os recursos não foram utilizados pela entidade e acabaram sendo redirecionados ao Hospital de Amor, em Barretos, no interior de São Paulo.
A assessoria do deputado sustenta que todo o procedimento ocorreu dentro da legalidade e de forma transparente. A defesa argumenta ainda que, como o projeto não chegou a ser executado, não houve aplicação dos recursos originalmente destinados, afastando qualquer irregularidade relacionada à emenda.
A investigação do STF também menciona outros parlamentares. A deputada federal Bia Kicis informou que recursos destinados ao mesmo projeto não foram executados. Já o deputado federal Mário Frias negou qualquer irregularidade e afirmou que os projetos apoiados por seu mandato não possuem relação com a produção do filme “Heróis Nacionais” ou com outras iniciativas investigadas.
Enquanto isso, a Polícia Civil paulista busca documentos e equipamentos eletrônicos que possam esclarecer suspeitas de pagamentos antecipados e possíveis irregularidades no contrato de internet pública firmado pelo Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo.

