A Prefeitura de Corumbá avalia aplicar multa à LHG Mining, do Grupo J&F, caso sejam comprovados danos às comunidades afetadas pela atividade mineradora. A empresa está no centro de apurações que envolvem o naufrágio de uma barcaça com minério de ferro no Rio Paraguai, reclamações sobre água barrenta no abastecimento e transtornos provocados pelo tráfego de caminhões.
O prefeito Gabriel Alves de Oliveira, o Dr. Gabriel (PSB), afirmou na segunda-feira (2) que as medidas dependerão das conclusões dos técnicos da Fundação de Meio Ambiente de Corumbá.
“Os técnicos da Fundação de Meio Ambiente de Corumbá vão produzir um laudo sobre os impactos e, se houver essa comprovação, vamos tomar as providências necessárias”, declarou.
Naufrágio mobiliza fiscalização
A barcaça afundou no sábado (31), no Terminal Privativo Gregório Curvo, na região de Porto Esperança. Não houve feridos. Após o incidente, a água nas proximidades da embarcação apresentou coloração avermelhada, o que motivou preocupação com possíveis efeitos sobre o rio e a fauna aquática.
A Marinha do Brasil abriu investigação para esclarecer as causas do naufrágio. O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) acompanha as condições ambientais e informou que foi comunicado pela empresa responsável.
O monitoramento prevê coletas perto da embarcação, em trechos acima e abaixo do local do afundamento e em um ponto de controle. A comparação entre as amostras deve ajudar a identificar eventuais alterações na água. Também estão previstas análises laboratoriais, incluindo a presença de metais.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que enviou técnicos ao terminal na manhã de segunda-feira. O órgão apontou possíveis consequências da dispersão de partículas minerais e do acúmulo de minério no leito do rio, como aumento da turbidez e efeitos sobre peixes, ovos, larvas e organismos que vivem no fundo.
Conforme o Ibama, a presença do minério não significa, por si só, contaminação química imediata. Entretanto, determinadas condições ambientais podem favorecer a liberação de metais, tornando necessária a avaliação da água e dos sedimentos.
Entre as providências indicadas estão identificar a quantidade e a composição da carga eventualmente liberada, verificar possíveis vazamentos de combustível e lubrificantes e acompanhar a retirada da embarcação e do minério para evitar a ampliação dos impactos.
Empresa afirma que não houve alteração na qualidade da água
A LHG Mining informou que a barcaça pertencia a uma empresa contratada e transportava exclusivamente minério de ferro. De acordo com a mineradora, a embarcação não continha combustíveis, óleos lubrificantes ou outros produtos químicos.
A empresa afirmou que seu monitoramento ambiental não identificou alterações na qualidade da água do Rio Paraguai relacionadas ao incidente. Sustentou ainda que a mudança de coloração foi temporária e ocorreu em um trecho de forte vazão.
A mineradora, que explora ferro e manganês em Corumbá desde 2022, declarou que apura as causas do naufrágio, mantém o acompanhamento ambiental e colabora com as autoridades.
Comunidade relata água barrenta
Em outra ocorrência, registrada na quinta-feira (29), moradores da comunidade tradicional Antônio Maria Coelho denunciaram que receberam água barrenta nas torneiras durante toda a manhã. Eles associaram o problema à movimentação de caminhões da mineradora.
A presidente da Fundação de Meio Ambiente de Corumbá, Cristina Fleming, informou que equipes fizeram vistorias no dia da denúncia e no dia seguinte. A previsão é concluir o laudo de constatação até o fim da semana. A fundação também acompanha as análises da água que abastece a comunidade, a serem realizadas pela empresa.
Em resposta, a LHG atribuiu a situação às fortes chuvas e ao escoamento de água das estradas. A mineradora afirmou que presta auxílio aos moradores.
Caminhões perto de escolas preocupam prefeitura
As reclamações também abrangem lama, poeira, ruído e possíveis impactos em cursos d’água. De acordo com o prefeito, os problemas são denunciados há mais de um ano e motivaram ações judiciais que seguem em andamento.
Na comunidade Antônio Maria Coelho, representantes da prefeitura visitaram uma escola próxima à via utilizada pelos caminhões. Durante cerca de 40 minutos, observaram passagem frequente de veículos e uso constante de buzinas. A administração considera que o tráfego intenso pode comprometer as atividades escolares.
Dr. Gabriel também citou Porto Esperança, onde, conforme relatou, mais de 300 carretas circulam diariamente entre as minas e um porto próximo às moradias de ribeirinhos. A preocupação inclui o barulho dos bitrens e a exposição de estudantes à lama e à poeira de minério em uma estrada ao lado da escola municipal.
O prefeito defendeu que as atividades econômicas assumam suas responsabilidades e afirmou que a proteção das comunidades, dos rios e do Pantanal deve orientar a atuação do município.
