Recapturado na Bolívia após seis anos foragido, Gerson Palermo voltou a Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (27) cercado pelo histórico de decisões judiciais que, em momentos distintos, abriram caminho para sua saída da prisão. Condenado a mais de 120 anos por tráfico internacional, sequestro de aeronave e crimes ligados ao PCC, ele desembarcou em Campo Grande escoltado pela Polícia Federal e foi levado diretamente ao Presídio Federal.
A trajetória de Palermo no sistema prisional sul-mato-grossense é marcada por episódios que levantaram questionamentos dentro do próprio Judiciário. O primeiro ocorreu em 2010, quando ele conseguiu progressão para o regime semiaberto mesmo acumulando condenações superiores a 66 anos de prisão.
Na época, a Justiça autorizou a transferência do criminoso do Instituto Penal de Campo Grande para a Gameleira, permitindo que ele deixasse o presídio durante o dia e retornasse apenas à noite. A decisão, porém, foi revista semanas depois, quando a Vara de Execução Penal identificou que uma condenação não havia sido incluída no cálculo da pena.
O juiz substituto Albino Coimbra Neto determinou então o retorno imediato de Palermo ao regime fechado. Segundo o despacho judicial, apesar do tempo já cumprido, ainda restavam mais de 45 anos de pena, situação incompatível com o semiaberto.
Àquela altura, Palermo já era tratado pelas forças de segurança como criminoso de alta periculosidade. Entre os casos mais conhecidos atribuídos a ele está o sequestro de um Boeing da Vasp, em 2000, durante ação criminosa que resultou no roubo de milhões em malotes bancários.
O nome dele também apareceu ligado à rebelião no Instituto Penal de Campo Grande, em 2008, episódio que evidenciou a influência do PCC dentro do sistema penitenciário estadual. Investigações apontaram que integrantes da facção mantinham articulação ativa entre diferentes unidades prisionais.
Dez anos depois, Palermo voltou a deixar a prisão em circunstâncias ainda mais controversas. Em 2020, ele foi beneficiado por decisão do desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Posteriormente, o magistrado passou a ser investigado sob suspeita de venda de habeas corpus. Desde então, Palermo era considerado foragido.
A recaptura ocorreu após investigação iniciada em outubro do ano passado, quando a Polícia Civil apurou o sequestro da própria filha do criminoso, em Campo Grande. Conforme as investigações, a jovem, de 25 anos, teria sido mantida em cativeiro por ordem de Palermo em meio a uma disputa envolvendo R$ 50 mil ligados ao narcotráfico.
A operação mobilizou o Garras, a Polícia Federal e forças antidrogas da Bolívia, que localizaram Palermo em Santa Cruz de la Sierra. Além das condenações antigas, ele também já havia sido apontado como principal alvo da Operação All In, da Polícia Federal, que investigou esquema internacional de tráfico de cocaína entre Bolívia e Brasil.
