O Governo de Mato Grosso do Sul autorizou, nesta segunda-feira (4), a abertura de um novo concurso público com 2 mil vagas para professores da Rede Estadual de Ensino (REE). A medida representa uma ampliação significativa em relação ao último certame, realizado em 2022, que ofertou 722 vagas.
A formalização ocorreu na Governadoria, durante reunião entre o governador Eduardo Riedel (PP) e a direção da Federação dos Trabalhadores em Educação de MS (Fetems). Segundo o chefe do Executivo, a decisão é resultado de negociação com a categoria e reforça a política de valorização do magistério.
“Estamos avançando com responsabilidade, priorizando uma educação de qualidade e garantindo melhores condições para os profissionais. Esse concurso é reflexo direto do diálogo com a categoria e dos resultados que buscamos alcançar”, declarou.
Participaram do encontro os secretários estaduais Hélio Daher (Educação) e Roberto Gurgel (Administração).
Para a presidente da Fetems, Deumeires Batista de Souza, o anúncio atende uma demanda histórica dos professores. Ela destacou que o número de vagas é considerado satisfatório e representa avanço na luta da categoria.
No concurso anterior, apesar das 722 vagas previstas, mais de 1.300 candidatos foram convocados. Ainda há expectativa de novas chamadas antes da publicação do próximo edital.
Novo formato
O processo seletivo trará uma mudança relevante: os candidatos poderão concorrer a vagas em todo o território estadual, e não mais por municípios específicos. De acordo com o secretário Hélio Daher, o novo modelo amplia as possibilidades de escolha e contribui para melhor distribuição dos profissionais na rede.
A partir da autorização, caberá à Secretaria de Administração (SAD) definir o cronograma do concurso, incluindo a publicação do edital e as etapas do processo.
Remuneração em destaque
Levantamento do Movimento Profissão Docente indica que Mato Grosso do Sul possui a maior remuneração inicial entre as redes estaduais: cerca de R$ 13 mil para jornada de 40 horas semanais.
O valor supera em 53,8% o salário pago no Maranhão, segundo colocado no ranking, e é 167% maior que o do Rio de Janeiro, último na lista.
No fim da carreira, os vencimentos podem chegar a R$ 26,5 mil, mantendo o estado na liderança nacional. Em São Paulo, segundo colocado nesse critério, o teto é de R$ 14,4 mil.
Apesar disso, ainda há diferença entre vínculos: professores contratados podem receber até 61% menos que concursados, conforme dados da Fetems. O novo concurso também é visto como estratégia para ampliar o quadro efetivo e reduzir essa desigualdade.

