Destituído do cargo e investigado por escândalo bancário, Santiago Peña deixou a prisão domiciliar sob forte escolta após manifestantes exigirem sua transferência para um presídio.
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi transferido para uma unidade militar na noite de sexta-feira (6), após uma série de protestos e confrontos entre manifestantes e policiais em frente à residência onde cumpria prisão domiciliar, em Assunção. A retirada ocorreu pouco antes da meia-noite, sob um esquema reforçado de segurança.
Peña foi levado ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade das Forças Armadas responsável pela proteção de autoridades. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a transferência foi determinada por questões de segurança, diante da tensão crescente nas proximidades da residência do ex-mandatário.
Pelo menos quatro caminhonetes participaram da operação. Durante a saída do comboio, moradores arremessaram ovos e dirigiram insultos ao ex-presidente, que havia sido destituído pelo Senado paraguaio horas antes.
Os protestos começaram depois que Peña passou a cumprir prisão domiciliar por determinação do Ministério Público. Manifestantes consideraram a medida insuficiente e exigiram que ele fosse encaminhado a uma penitenciária.
A mobilização terminou em confrontos. Um comissário da polícia sofreu ferimentos após ser atingido por uma pedra. As autoridades também mencionaram a possível presença de infiltrados entre os manifestantes, mas não apresentaram provas públicas dessa suspeita.
Escândalo bancário derrubou presidente
A crise política que resultou na queda de Santiago Peña começou com o colapso do banco digital Ueno, instituição com a qual o ex-presidente manteve vínculos empresariais.
A quebra do banco provocou o bloqueio de contas de milhares de correntistas e desencadeou uma onda de protestos no Paraguai, incluindo regiões comerciais próximas à fronteira com Mato Grosso do Sul.
Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso deu continuidade ao processo de impeachment. Na sexta-feira (6), o Senado aprovou sua destituição, e o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país.
O ex-presidente é investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas ao banco, incluindo possível abuso de confiança. As acusações ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes.
Até a publicação das informações pela imprensa paraguaia, não havia confirmação de autorização judicial ou do Ministério Público para a mudança de local de custódia, nem detalhes sobre as condições de permanência de Peña na unidade militar.
O ex-presidente também foi convocado para comparecer ao Ministério Público neste sábado (7), quando deverá prestar esclarecimentos sobre as acusações relacionadas ao escândalo financeiro.
