Interesse pelo país vizinho explode após o segundo turno; impostos menores e afinidade política atraem brasileiros, que já lideram concessões de residência
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25), provocou uma disparada nas pesquisas de brasileiros interessados em morar no Paraguai. Segundo levantamento divulgado com base no Google Trends, as buscas pela expressão “como morar no Paraguai” cresceram 1.700% após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
O crescimento chama a atenção especialmente em Mato Grosso do Sul, que compartilha uma extensa fronteira com o país vizinho. Entretanto, o salto nas pesquisas não significa necessariamente que o mesmo número de brasileiros esteja decidido a deixar o Brasil. O indicador mede o interesse relativo por determinado assunto na internet, não a quantidade efetiva de pessoas planejando uma mudança.
O fenômeno ocorre em meio a um movimento migratório que já vinha ganhando força antes das eleições. Brasileiros atraídos por impostos mais baixos, oportunidades de negócios e afinidade com o ambiente político paraguaio passaram a considerar o país como alternativa para estabelecer residência.
Uma reportagem da BBC News Brasil, publicada em abril deste ano, mostrou brasileiros enfrentando longas filas em Ciudad del Este para obter documentos de residência. Entre os entrevistados estavam aposentados, empresários e profissionais interessados em reconstruir a vida fora do Brasil.
Nas redes sociais, influenciadores brasileiros também contribuem para divulgar o Paraguai como destino para quem procura menor carga tributária e condições consideradas favoráveis para empreender.
Impostos de 10% estão entre os atrativos
Uma das principais vantagens divulgadas por quem defende a mudança é o sistema tributário paraguaio.
O país adota alíquota de 10% para o imposto sobre a renda empresarial. Na tributação da renda pessoal proveniente de serviços, a alíquota pode chegar a 10%, enquanto o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), cobrado sobre o consumo, tem alíquota geral de 10%.
Essas condições são frequentemente comparadas à estrutura tributária brasileira, embora o custo efetivo de morar ou manter uma empresa no exterior dependa de outros fatores, incluindo regras de residência fiscal, atividade econômica e obrigações legais.
Mais de 23 mil brasileiros conseguiram residência em 2025
O avanço da presença brasileira no Paraguai aparece nos registros oficiais da Direção Nacional de Migrações.
Em 2025, o país concedeu 40.600 autorizações de residência a estrangeiros, o maior número registrado até então. Desse total, 23.526 foram destinadas a brasileiros, aproximadamente 58% das concessões.
Em 2024, haviam sido autorizadas 17.139 residências para cidadãos do Brasil. A diferença representa um crescimento de aproximadamente 37% em apenas um ano.
Os brasileiros lideram com ampla vantagem o número de estrangeiros que obtêm residência no Paraguai, à frente de argentinos, alemães e bolivianos.
Fronteira com MS aproxima os dois países
Para Mato Grosso do Sul, o aumento do interesse pelo Paraguai tem relevância especial. A proximidade geográfica e as relações comerciais entre os dois países facilitam o contato de brasileiros com o mercado e as oportunidades oferecidas em território paraguaio.
Cidades como Pedro Juan Caballero, vizinha de Ponta Porã, e outras regiões fronteiriças mantêm relações econômicas e sociais históricas com municípios sul-mato-grossenses.
Embora o resultado eleitoral tenha provocado uma explosão de pesquisas na internet, os números oficiais mostram que o interesse dos brasileiros em estabelecer residência no Paraguai não começou agora.
O crescimento da imigração já era registrado antes da disputa presidencial de 2026, indicando que questões econômicas, tributárias e políticas fazem parte de um movimento mais amplo de busca por alternativas fora do Brasil.
