Ex-vereador de Campo Grande, que passou a trabalhar como sucateiro e cumpre prisão domiciliar, teve reintegração oficializada por Eduardo Riedel nesta segunda-feira
Seis anos depois de ser expulso da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o ex-vereador Tiago Henrique Vargas recuperou o cargo de investigador. A reintegração foi oficializada nesta segunda-feira (26), em publicação no Diário Oficial do Estado, com assinatura do governador Eduardo Riedel (PP). A medida marca mais um capítulo da trajetória do ex-parlamentar, que passou da segurança pública à política e, recentemente, começou a trabalhar com materiais recicláveis.
A decisão devolve a Vargas o vínculo funcional com a corporação da qual foi demitido em 16 de julho de 2020, após uma série de confrontos públicos com o então governador Reinaldo Azambuja, atualmente senador eleito pelo PL.
O retorno foi determinado judicialmente e formalizado pelo Executivo estadual. Entretanto, a reintegração administrativa não significa necessariamente que Vargas poderá reassumir imediatamente as atividades policiais, uma vez que cumpre prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
Demissão ocorreu após confronto com ex-governador
A saída de Tiago Vargas da Polícia Civil ocorreu em meio a uma sequência de episódios de repercussão política e judicial.
Em 2020, quando ainda integrava a corporação, ele publicou nas redes sociais um vídeo criticando uma operação de fiscalização de trânsito realizada pelo Detran-MS em Campo Grande.
Durante a gravação, Vargas fez ataques pessoais a Reinaldo Azambuja, acusando o então governador de corrupção e utilizando expressões ofensivas.
As declarações provocaram desdobramentos judiciais. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul apresentou acusação pelos crimes de injúria e difamação. Na esfera cível, Vargas também foi condenado a pagar indenização de R$ 40 mil por danos morais ao ex-governador.
A reintegração agora publicada representa a reversão administrativa de sua demissão, mas não implica, por si só, o afastamento de eventuais condenações judiciais relacionadas aos episódios.
Ex-vereador se emocionou com a notícia
A confirmação de que recuperaria o cargo chegou enquanto Tiago Vargas trabalhava na reciclagem, atividade à qual passou a se dedicar em abril deste ano.
Em manifestação nas redes sociais, o ex-vereador não escondeu a emoção ao comentar o desfecho de uma espera que ultrapassou seis anos.
Ele agradeceu a Deus e lembrou que sua mãe morreu antes de acompanhar o resultado da disputa pelo retorno à Polícia Civil.
A atividade como sucateiro vinha sendo mostrada em vídeos publicados na internet, nos quais Vargas apresentava a rotina de coleta, seleção e comercialização de materiais recicláveis.
Trajetória marcada por disputas políticas
Tiago Vargas ingressou na Polícia Civil em 2014. Depois de perder o cargo, encontrou na política eleitoral uma nova oportunidade de atuação pública.
Eleito vereador de Campo Grande em 2020, exerceu mandato entre 2021 e 2024. Nesse período, ganhou visibilidade por manifestações nas redes sociais, posicionamentos políticos e conflitos que tiveram repercussão na cidade.
Nas eleições municipais de 2024, tentou permanecer na Câmara Municipal pelo Progressistas, mas os 6.202 votos recebidos não foram suficientes para garantir a reeleição.
Com o encerramento do mandato, foi nomeado pela prefeita Adriane Lopes para a função de assessor especial na Secretaria Especial de Articulação Regional, em janeiro de 2025.
A trajetória sofreu outra mudança em abril de 2026, quando Vargas passou a cumprir prisão domiciliar, sob fiscalização por tornozeleira eletrônica.
Pouco depois, anunciou que estava trabalhando como sucateiro, atividade que passou a divulgar nas redes sociais.
Retorno à corporação abre nova etapa
A publicação desta segunda-feira recoloca Tiago Vargas nos quadros da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul depois de um afastamento que atravessou duas administrações estaduais.
A medida tem significado administrativo e político, especialmente porque sua demissão ocorreu durante a gestão de Reinaldo Azambuja, antecessor e aliado político do atual governador Eduardo Riedel.
Embora o ato de reintegração tenha sido formalizado pelo governo estadual, o cumprimento da determinação judicial não representa necessariamente uma mudança de posicionamento político do Executivo em relação ao ex-vereador.
O próximo passo será esclarecer como ficará a situação funcional de Vargas diante das restrições judiciais atualmente impostas a ele.
Por enquanto, o fato concreto é que, seis anos depois de deixar a corporação, o ex-parlamentar voltou a ter reconhecido seu vínculo com a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
