Soraya Thronicke, Vander Loubet, Fábio Trad e Simone Tebet podem ganhar espaço no novo governo federal; negociações envolvem ministérios e cargos estratégicos em Mato Grosso do Sul
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25), abriu uma nova perspectiva para quatro lideranças políticas de Mato Grosso do Sul que saíram derrotadas das eleições de 2026. Sem conquistar os mandatos que disputaram, Soraya Thronicke (PSB), Vander Loubet (PT), Fábio Trad (PT) e Simone Tebet (PSB) podem encontrar no quarto governo petista uma oportunidade de permanecer no cenário político nacional.
Os quatro apoiaram Lula durante a disputa presidencial e agora aparecem nas articulações para a formação da equipe que assumirá funções a partir de 2027. Embora ainda não existam nomeações confirmadas, a expectativa de participação de aliados na administração federal ganhou força após o resultado das urnas.
O presidente estadual do PT, Vander Loubet, já declarou publicamente que Soraya Thronicke e Fábio Trad deverão ser considerados nas discussões sobre os cargos federais. Segundo ele, a participação de ambos na campanha presidencial deve ser reconhecida politicamente.
Soraya pode trocar Senado por ministério
A senadora Soraya Thronicke, que tentou conquistar mais oito anos de mandato, recebeu 340.788 votos, equivalentes a 13,07% dos votos válidos na disputa pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul. Terminou em quarto lugar, atrás de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos eleitos pelo PL, e de Vander Loubet.
Com o mandato chegando ao fim em janeiro de 2027, Soraya aparece entre os nomes cogitados para assumir o Ministério do Turismo.
A parlamentar declarou ao portal MS Todo Dia que está preparada para comandar a pasta. Entretanto, a possibilidade ainda depende de decisão do presidente reeleito e das negociações para a composição ministerial.
Depois de conquistar 361.920 votos e terminar em terceiro lugar na disputa pelo Senado, o deputado federal Vander Loubet também precisará redefinir seu futuro político.
Presidente estadual do PT, ele encerra seu mandato na Câmara dos Deputados no início de 2027, mas pretende continuar na direção partidária e participar das articulações entre Brasília e Mato Grosso do Sul.
Vander afirmou que sua prioridade não é assumir imediatamente um cargo no Executivo. Seu objetivo declarado é continuar à frente do partido e coordenar a atuação política relacionada aos programas federais no Estado.
A posição lhe permitirá participar das negociações envolvendo aproximadamente 28 cargos de comando de órgãos federais em Mato Grosso do Sul, cujos titulares poderão ser definidos ou mantidos na reorganização administrativa.
Fábio Trad pode ganhar espaço em Brasília
Derrotado pelo governador Eduardo Riedel (PP) na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad recebeu 322.807 votos e também poderá ser contemplado na composição da nova administração federal.
Durante o segundo turno, o advogado e ex-deputado federal participou de mobilizações em favor da reeleição de Lula em Campo Grande e esteve envolvido nas articulações políticas realizadas em Brasília.
Vander Loubet defendeu que Trad seja lembrado nas discussões sobre a ocupação de cargos federais. Até o momento, entretanto, não foi anunciada uma função específica para o ex-candidato ao governo estadual.
Simone Tebet pode retornar ao primeiro escalão
A ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet também aparece nas especulações sobre a futura composição ministerial.
Depois de deixar o governo federal em março para disputar uma vaga no Senado por São Paulo, a ex-senadora sul-mato-grossense recebeu 8.342.968 votos, mas não conseguiu se eleger.
Sua experiência no primeiro escalão da administração Lula e a participação na aliança governista mantêm seu nome nas conversas sobre a formação da nova equipe presidencial.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira (26), Lula mantém negociações com Simone e outros aliados que não obtiveram vitória nas urnas.
Cargos federais entram na disputa política
Além dos ministérios, a reorganização administrativa poderá alcançar órgãos federais instalados em Mato Grosso do Sul, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a Superintendência do Patrimônio da União (SPU), o Incra e outras estruturas com atuação regional.
A distribuição desses espaços envolve negociações entre partidos aliados e integrantes do governo, mas também depende das atribuições de cada cargo e das regras aplicáveis às nomeações.
A possibilidade de acomodar lideranças derrotadas nas urnas não significa que as indicações estejam definidas. Até agora, as declarações públicas apontam para uma intenção de participação desses políticos, sem confirmação oficial dos cargos que poderão ocupar.
A vitória de Lula, portanto, não alterou o resultado eleitoral dos quatro aliados, mas abriu uma nova etapa de articulações políticas. Para Soraya, Vander, Fábio Trad e Simone Tebet, o desafio agora será transformar o apoio dado ao presidente em participação efetiva na administração federal a partir de 2027.
