Estado mais que dobrou a população desde 1980, mas expansão econômica convive com concentração de renda e carências no saneamento
Mato Grosso do Sul completou 49 anos de criação neste domingo (11) com uma economia transformada pela expansão das lavouras, dos rebanhos e das cidades. O crescimento, porém, não eliminou contrastes: enquanto a produção de milho se multiplicou por 95 desde 1979, o rendimento médio por pessoa no grupo do 1% mais rico equivale a 47 vezes o registrado entre os 10% mais pobres.
Os números integram levantamento do Campo Grande News com base em séries históricas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A comparação reúne indicadores de diferentes períodos, conforme a disponibilidade das pesquisas.
Criado em 11 de outubro de 1977, o Estado foi instalado administrativamente em 1º de janeiro de 1979. No primeiro Censo após a divisão territorial, em 1980, tinha aproximadamente 1,37 milhão de habitantes. A estimativa para 2026 chega a 2,95 milhões, crescimento de 115%.
A população também se tornou mais urbana. Em 1980, 67% dos moradores viviam nas cidades; em 2022, eram 88%. No mesmo intervalo, o número de habitantes do campo caiu de 450,5 mil para 327,1 mil.
Campo Grande acompanhou essa transformação. A Capital passou de 291.777 habitantes em 1980 para 898.100 no Censo de 2022. A estimativa de 2026 aponta 970.843 moradores.
Nas lavouras, a mudança foi ainda mais intensa. A produção de milho saltou de 146,5 mil toneladas em 1979 para 13,93 milhões em 2025. A soja avançou de 826,7 mil para 13,12 milhões de toneladas, quase 16 vezes o volume inicial.
A cana-de-açúcar apresentou a maior expansão proporcional: passou de 312,3 mil para 55,26 milhões de toneladas, acompanhando a instalação de usinas e o desenvolvimento das cadeias de açúcar e biocombustíveis.
O arroz seguiu na direção oposta. Sua produção recuou de 457,1 mil para 83,5 mil toneladas, queda de 81,7%.
A pecuária também se diversificou. Entre 1979 e 2025, o rebanho bovino cresceu de 10,02 milhões para 17,95 milhões de cabeças. Os suínos passaram de 545,2 mil para 1,96 milhão, enquanto os galináceos avançaram de 3,44 milhões para 35,55 milhões. Os dados pecuários de 2025 são classificados como preliminares no levantamento.
A riqueza produzida pelo Estado alcançou R$ 184,4 bilhões em 2023. Já o rendimento domiciliar mensal por morador chegou a R$ 2.454 em 2025, acima da média nacional de R$ 2.316.
Essa média, no entanto, esconde diferenças expressivas. Entre os 10% mais pobres, o rendimento por pessoa era de R$ 403 mensais. No grupo do 1% mais rico, atingia R$ 18.932. Os 10% de maior renda concentravam 36,3% do total, enquanto a metade mais pobre ficava com 20,6%.
O saneamento expõe outro limite do desenvolvimento. Em 2022, 87,2% dos domicílios utilizavam a rede geral como principal fonte de água e 90,3% tinham coleta de lixo. No esgotamento sanitário, apenas 50,4% eram atendidos por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede. Outros 26,3% utilizavam fossa rudimentar ou buraco.
Entre os domicílios com moradores indígenas, 62,6% apresentavam alguma precariedade no abastecimento de água, no esgotamento sanitário ou na destinação do lixo.
O Estado também envelheceu. A participação de crianças e adolescentes de até 14 anos caiu de 41% da população, em 1980, para 22%, em 2022. Já os moradores com 65 anos ou mais passaram de aproximadamente 3% para quase 10%.
Às vésperas de completar meio século, Mato Grosso do Sul reúne produção agropecuária ampliada, cidades maiores e novas demandas sociais. Os indicadores mostram que transformar a expansão econômica em melhoria das condições de vida permanece um desafio.
