Riedel aposta em saúde regionalizada e tecnologia para reduzir viagens de pacientes em MSReduzir a necessidade de pacientes viajarem centenas de quilômetros em busca de consultas, exames e procedimentos especializados é uma das principais propostas do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, para a saúde pública de Mato Grosso do Sul.
O Plano de Governo para 2027–2030 prevê consolidar uma rede regionalizada de atendimento, ampliar o uso da saúde digital, integrar os sistemas de regulação do Estado e dos municípios e fortalecer hospitais de média complexidade no interior.
A estratégia busca diminuir a concentração dos serviços especializados nos maiores centros urbanos e fazer com que parte dos atendimentos hoje dependentes de deslocamentos seja oferecida mais perto de onde o paciente mora.
Entre os projetos previstos estão ainda a implantação e entrada em funcionamento do Hospital Regional do Pantanal e a ampliação da capacidade do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande.
Rede regionalizada
A reorganização da saúde estadual começou a ser implantada no atual mandato, entre 2023 e 2026, dentro do modelo chamado pelo governo de Nova Arquitetura da Saúde.
A proposta divide o atendimento em diferentes níveis. A atenção primária funciona como porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto unidades e hospitais regionais ficam responsáveis por consultas, exames e procedimentos de média complexidade.
Os casos que exigem maior estrutura tecnológica ou equipes altamente especializadas são encaminhados para hospitais de alta complexidade.
O objetivo é evitar que pacientes sejam enviados para Campo Grande ou outros grandes polos quando o atendimento puder ser realizado regionalmente.
O modelo, porém, depende da integração entre Estado e os 79 municípios, principalmente na regulação das vagas, encaminhamentos e acompanhamento dos pacientes.
Telessaúde ganha espaço
Um dos instrumentos usados pelo governo para diminuir as distâncias é a Telessaúde.
O serviço permite que pacientes do interior tenham acesso a determinadas especialidades por meio de atendimento remoto, evitando, em alguns casos, viagens até centros de referência.
Para o próximo mandato, o plano de Riedel prevê expandir as modalidades de saúde digital para todas as regiões do Estado.
A proposta também pretende integrar informações clínicas e administrativas e ampliar o uso de dados para organizar filas, identificar demandas e direcionar pacientes para os serviços disponíveis.
A expectativa é que a tecnologia ajude a reduzir gargalos na regulação e permita melhor aproveitamento da estrutura instalada no Estado.
Hospital Regional terá mais leitos
Na alta complexidade, uma das principais apostas é a ampliação do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Plano de Governo, a capacidade da unidade deverá passar dos atuais 362 para 577 leitos dentro de uma parceria público-privada.
A ampliação ainda está em andamento e, portanto, os novos leitos não estão integralmente disponíveis.
O hospital é uma das principais referências de alta complexidade do SUS em Mato Grosso do Sul e recebe pacientes encaminhados de diferentes municípios.
Com o crescimento da estrutura, a intenção é aumentar a capacidade para procedimentos e internações que não podem ser resolvidos nos hospitais regionais.
Interior ainda precisa ampliar oferta
Apesar dos avanços citados pelo governo, a regionalização da saúde ainda está em processo de implantação.
O próprio programa para 2027–2030 aponta que será necessário ampliar a oferta de consultas, exames e procedimentos especializados, fortalecer hospitais de média complexidade e melhorar a comunicação entre os diferentes níveis de atendimento.
Na prática, não basta instalar um serviço especializado em determinada região. É necessário que a regulação consiga localizar a vaga, encaminhar o paciente e garantir a continuidade do tratamento.
Esse é um dos pontos centrais da proposta para o próximo ciclo.
A ideia é conectar a unidade básica, o especialista e os hospitais de referência dentro de um mesmo fluxo de atendimento.
Hospital Regional do Pantanal
Outra promessa para o próximo mandato é implantar e colocar em funcionamento o Hospital Regional do Pantanal.
A unidade integra a estratégia de descentralização dos serviços hospitalares e deverá ampliar a capacidade de atendimento da região, reduzindo a dependência de transferências para outros municípios.
O programa também prevê reforçar os hospitais de média complexidade, considerados fundamentais para impedir que casos de menor gravidade ocupem estruturas destinadas à alta complexidade.
Vigilância e prevenção
A proposta de Riedel não se restringe ao atendimento hospitalar.
O plano prevê reforçar as ações de vigilância epidemiológica, sanitária e ambiental, além de ampliar a capacidade de resposta do Estado diante de emergências de saúde pública.
O governo também destaca o desempenho de Mato Grosso do Sul no Programa Nacional de Imunizações, no qual o Estado alcançou nota máxima em avaliação nacional.
Saúde mais perto de casa
O desafio para os próximos anos será transformar a estrutura regional e as ferramentas digitais em redução efetiva do tempo de espera e das viagens enfrentadas pelos pacientes.
Para moradores de municípios distantes dos grandes centros, um atendimento especializado pode envolver transporte, ausência no trabalho, gastos extras e necessidade de acompanhante.
É justamente esse impacto que a proposta pretende reduzir.
Se o modelo avançar conforme previsto, consultas, exames e procedimentos de média complexidade deverão ficar cada vez mais próximos do paciente, enquanto os grandes hospitais seriam reservados principalmente para casos que realmente exigem alta complexidade.
A promessa para 2027–2030, portanto, é fazer com que o endereço do paciente pese menos na hora de conseguir atendimento especializado pelo SUS em Mato Grosso do Sul.
