Uma viagem de férias terminou em 21 dias de angústia para a médica Ana Paula Nunes dos Santos, de 27 anos, moradora de Dourados. Confundida com outra mulher de mesmo nome, ela foi presa no Aeroporto Internacional de Campo Grande, passou duas noites detida e ainda ficou 19 dias usando tornozeleira eletrônica até que o erro fosse reconhecido.
Ana Paula voltava da Bahia acompanhada do marido e da filha de apenas seis meses quando foi abordada por agentes da Polícia Federal no aeroporto.
Desde o primeiro momento, segundo relatou, tentou explicar que havia um engano.
“Eu insisti que era a pessoa errada. Entrei em desespero, porque sabia que não tinha cometido nenhum crime.”
Mesmo assim, foi separada da família e levada para a delegacia.
Duas noites presa
A médica permaneceu duas noites na prisão. Em audiência de custódia, conseguiu deixar a unidade, mas teve de passar a cumprir medidas cautelares e começou a usar tornozeleira eletrônica.
Já em Dourados, procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. Foi então que a análise detalhada do processo revelou o erro.
Embora a mulher procurada tivesse o mesmo nome de Ana Paula, os documentos mostravam diferenças no CPF, filiação, data de nascimento e outros dados pessoais.
A médica nasceu em 1999 e nunca havia sido citada, apresentado defesa ou participado da ação penal que resultou no mandado.
Ou seja, ela só ficou sabendo da existência do processo no momento em que foi presa.
Erro estava nos próprios documentos
Segundo a Defensoria Pública, a comparação dos documentos existentes no processo permitiu concluir que se tratava claramente de duas pessoas distintas.
O defensor público Lucas Colares Pimentel explicou que os próprios autos continham informações suficientes para diferenciar a médica da verdadeira investigada.
Diante da constatação, a Defensoria impetrou habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e pediu a retirada da tornozeleira, o cancelamento das restrições e a correção dos registros.
19 dias monitorada
Até a situação ser regularizada, Ana Paula permaneceu 19 dias sob monitoramento eletrônico.
Mesmo nesse período, continuou trabalhando como servidora pública municipal em Dourados.
Ao todo, foram duas noites presa e 19 dias com tornozeleira por um crime que, segundo a Defensoria, havia sido atribuído a outra pessoa com o mesmo nome.
